Com o drama das melhores novelas e a emoção dois mais equilibrados jogos de futebol, o processo de #Impeachment da presidente Dilma Rousseff terá um capítulo decisivo no próximo domingo, dia 17, quando o grande condutor do espetáculo, #Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, comandará a votação entre os seus pares.

A espetacularização midiática inserida sobre o processo que pode mudar os rumos do país é tanta que, pela primeira vez em muitos anos, a Rede Globo, maior emissora nacional, cogita e trabalha para trocar o tradicional futebol das 16h de domingo pela cobertura da votação. O show do impeachment, conduzido por Eduardo Cunha, vai aterrissar na televisão de milhões de brasileiros – acostumados a ter no domingo o seu único momento de lazer em meio a uma dura rotina de tempos difíceis.

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Não se trata, aqui, de uma defesa aberta à presidente Dilma Rousseff, denunciada por crimes de responsabilidade que envolvem milhões nas chamadas “pedaladas fiscais” e nos decretos de suplementação sem aprovação do Congresso Nacional, no exercício do mandato de 2015. Dilma deve sim ser julgada de acordo com as normas vigentes na Constituição Federal, mas Cunha também.

Por meio de manobras regimentais de enorme habilidade política, Eduardo Cunha e sua defesa têm conseguido adiar há mais de quatro meses a votação de um parecer decisivo para sua continuidade ou não como presidente da Câmara. O documento julga a admissibilidade do processo de cassação do mandado do peemedebista, que é acusado de ter contas secretas na Suíça e de ter mentido à CPI da Petrobras no ano passado.

A votação sobre o parecer na Comissão de Ética, no momento, tem placar apertado: 11 votos a favor da admissibilidade, contra 10 recomendando o arquivamento.

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Alguns membros integrantes do conselho temem que Cunha consiga, por meio de um requerimento, abrir espaço para uma nova votação e que a diferença de um voto seja revertida. Nesta quarta-feira, Fausto Pinato, deputado do PP-SP (saiu do PRB recentemente), renunciou à vaga na comissão, mesmo tendo sido o primeiro relator da ação contra o mandatário da Câmara. Estratégia de Cunha? Pinato nega.

O fato é que Eduardo Cunha, mesmo com importantes pendências na Comissão de Ética, comandará e determinará a votação que pode avançar o processo de impedimento de Dilma Rousseff ao Senado Federal. Em um país onde a lei vale muito para alguns e nem tanto para outros, não se sabe o que esperar – e nem em quem confiar – no dia de amanhã. Se serve de alento, domingo poderemos assistir. Pela televisão.