A homenagem de Jair Bolsonaro a Carlos Alberto Brilhante Ustra poderá custar caro ao deputado. O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na sua próxima sessão plenária marcada para meados de maio, irá avaliar as declarações do parlamentar e poderá tomar as medidas cabíveis. Na mesma linha, a OAB do Rio de Janeiro já havia tornado público a sua intenção de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o mandato do deputado.

A menção de Bolsonaro ao ex-coronel Ustra ocorreu no último domingo, dia 17, quando o deputado foi chamado por Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, para dar o seu voto sobre a admissibilidade ou não do processo de impeachment contra #Dilma Rousseff.

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Bolsonaro votou "sim" e dedicou sua escolha a Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-coronel e comandante do Doi-Codi, um dos órgãos mais repressores da Ditadura Militar brasileira.

Claudio Lamachia, presidente da Ordem dos Advogados, fez contundentes críticas à postura adotada por Bolsonaro: "Dentro do exercício do poder que é delegado pelo povo brasileiro, não pode ser considerado admissível que figuras públicas se utilizem da imunidade para se manifestar desrespeitando os Direitos Humanos e a democracia", disparou o dirigente da OAB.

Brilhante Ustra

O "terror de Dilma Rousseff", segundo palavras de Jair Bolsonaro, foi o único militar reconhecido oficialmente pela Justiça como um torturador. Montado por familiares de vítimas do regime militar, o Dossiê Ditadura apontou a participação direta de Ustra em, no mínimo, 60 casos de desaparecimentos e mortes na cidade de São Paulo.

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O coronel dirigiu o Doi-Codi entre 1970 e 1974, no período mais avançado da ditadura brasileira.

Na segunda-feira, dia 18, um dia depois da polêmica menção ao coronel Ustra, Bolsonaro voltou a defender o militar, que morreu de câncer em 2015. Segundo o deputado, "Brilhante Ustra era um herói brasileiro. Era método dos presos dizerem que eram torturados", disse Bolsonaro em entrevista para a Rádio Gaúcha, do Rio Grande do Sul. #Casos de polícia #Crise-de-governo