Nesta quinta-feira (28), o Ministério Público Federal convocou entrevista coletiva para apresentar os resultados de duas fases da Operação Lava Jato. As investigações são relativas a pagamentos feitos ao marqueteiro do Partido dos Trabalhadores João Santana (23a fase) e ao chamado "Setor de Operações Estruturadas" da Odebrecht, que se destinava ao pagamento de propinas (26a fase).

De acordo com a denúncia, a Polícia Federal concluiu que há indícios de que João Santana e sua mulher Mônica Moura teriam recebido 4,5 milhões de dólares em propina de um dos operadores do esquema da Petrobras, o engenheiro Zwi Skornicki, entre 2013 e 2014.

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Skornicki foi citado por delatores como sendo a pessoa que fazia a ligação entre os pagamentos. Ele é o representante do estaleiro Keppel Fels no Brasil. Entre 2012 e 2013, João Santana teria recebido outros 3 milhões de dólares de offshores ligadas à Odebrecht. O dinheiro era originário de contratos para a construção de plataformas da Petrobras. Os ex-funcionários da estatal Pedro Barusco e Renato Duque, mais uma vez teriam sido beneficiados.

João Santana e Mônica Moura, aparecem também na segunda denúncia, juntamente com outros nomes conhecidos da #Lava Jato, como o empresário Marcelo Odebrecht, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, seis ex-funcionários da Odebrecht e dois doleiros. Esta parte da investigação teve como base a delação de Maria Lúcia Tavares, funcionária da Odebrecht, que trabalhava no departamento batizado de "Setor de Operações Estruturadas".

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Para o coordenador da força-tarefa Deltan Dallagnol o "setor" era uma "sofisticação do esquema de lavagem de dinheiro". Dallagnol afirmou que depois da prisão de Marcelo Odebrecht, há pouco mais de um ano, este departamento da empreiteira foi sendo desativado aos poucos e houve orientação para que os envolvidos fossem para fora do país, tentando assim atrapalhar as investigações da Lava Jato.

Os crimes cometidos por estes envolvidos no esquema são organização criminosa, lavagem de dinheiro e integração à associação dirigida à prática de lavagem de dinheiro, além de corrupção ativa e passiva.

Os procuradores solicitam que seja devolvido à Petrobras o dobro do valor total das propinas, ou seja, mais de um bilhão e meio de reais. Os suspeitos devem ainda perder os bens adquiridos de forma ilícita, que somam R$ 111,9 milhões. Mais 683 milhões de reais foram solicitados pelo MPF, valor que corresponde a 0,9% dos seis contratos entre a Petrobras e o estaleiro Brasfels.