Com direito a filet mignon e patrocínios na passeata pró-#Impeachment, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, conhecida como Fiesp, mostra-se como uma das principais forças opositoras (fora do jogo partidário) ao governo Dilma Rousseff. Mas o que a população não sabe (ou não procura saber) é que essa organização esteve, ao longo de sua história, envolvida em vários escândalos de chantagem, resistência contra direitos trabalhistas e até torturas, como este artigo explicará a seguir.

No final dos anos 1950, trabalhadores organizados através dos sindicatos, com apoio de parlamentares do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), entraram na luta pelo Abono de Natal.

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Manifestações e greves, ao longo de alguns anos, tomaram indústrias pelo Brasil neste período. A FIESP, desde o início, se manifestou contrária ao direito defendido pelos trabalhadores. A organização conclamava que no Brasil confiava apenas no governo paulista e no Exército e, como de costume, acusavam que o Brasil passava por uma comunização, como se explica no livro O Brasil Republicano 3, o tempo da experiência democrática, dos historiadores Jorge Ferreira e Lucília de Almeida Neves Delgado. Após greves dadas como ilegais, muita repressão, ataque midiático, perseguição por parte das burguesias, no ano de 1962 a pauta dos trabalhadores foi acolhida.

Recentemente, a Fiesp é acusada de doar mais de 1 milhão de dólares para o general Amaury Kruel, para trair o presidente João Goulart. Além disso, como consta em matéria publicada pela Rede Brasil Atual no dia 15 de dezembro de 2015, golpistas foram financiados pela Fiesp, a fim de ser organizarem, pagando viagens de oficias das Forças Armadas e comprando armas.

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A Fiesp, no ápice da Ditadura Militar, também foi responsável por financiar a Oban (Operação Bandeirantes), como apontam relatório da Comissão da Verdade. Essa operação tinha como objetivo destruir os grupos opositores do Regime Militar, sendo também um dos maiores antros de tortura do Brasil ditatorial. Ou seja, Fiesp também foi responsável por perseguição, tortura e assassinato de brasileiros que combatiam (ou não) a ditadura.

Já no período democrático, mais especificamente na eleição presidencial de 1989, a Fiesp não foi apenas uma apoiadora do candidato Fernando Collor e outros candidatos da direita, mas também desonesta ao ponto de fazer chantagem eleitoral, prejudicando o Brasil e todo a população, caso os candidatos considerados da esquerda vencessem as eleições. Como Maciel explora em sua tese de doutorado, De Sarney a Collor: reformas políticas, democratização e crise (1985 - 1990), Mario Amato, presidente da Fiesp, declarou que caso Lula vencesse as eleições, 800 mil empresários abandonariam o país.

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Pode-se entender que o golpismo por parte da Fiesp não está presente só neste momento, mas sim ao longo de sua história. Em seu histórico se encontram golpes contra os trabalhadores, patrocínio contra os golpistas de 1964, promoção de uma operação que perseguiu e torturou brasileiros e chantagem eleitoral, intervindo na eleição presidencial de 1989. Antes da população bestializada sair pelas ruas, ao lado dos “manifestantes do pato”, é bom conhecer um pouco da história Fiesp. #Crise no Brasil #Dentro da política