O deputado federal Jovair Arantes (PTB-GO) apresentou no fim do dia de ontem, 06, o parecer sobre o acolhimento da denúncia de impeachment da presidenta da República #Dilma Rousseff (PT) na Câmara dos Deputados. No relatório, de 128 páginas, o deputado afirma que há “indícios mínimos” de crimes de responsabilidade cometidos por Dilma.

Dentre os “indícios”, Jovair citou a “contratação ilícita de operações de crédito” e também a “abertura de créditos suplementares”, por parte da presidência, sem a devida autorização do Congresso Nacional. O deputado defende a ideia de que a presidenta Dilma cometeu violações de “grande magnitude”, o que representa um “grave desvio dos seus deveres funcionais”, o que, segundo ele, justifica a abertura do mecanismo de #Impeachment.

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Em contrapartida, Jovair Arantes não relacionou Dilma Rousseff aos casos investigados pela Operação Lava Jato, e sugeriu que o Senado Federal se aprofundasse nesta questão.

Agora, de acordo com o andamento do processo do pedido de impeachment da presidenta da República Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, o relatório apresentado nesta quarta-feira pelo parlamentar Jovair Arantes tem previsão para ser votado até, no máximo, a próxima segunda-feira, dia 11, pelos 65 membros da comissão especial do impeachment instaurada na Câmara.

“Indícios mínimos não sustentam impeachment”, diz especialista

Para o historiador João Marcos Dos Santos, especialista em política brasileira, o parecer apresentado ontem, 06, pelo deputado federal Jovair Arantes (PDT-GO), é frágil e não sustenta o impeachment contra Dilma.

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“Como você pode retirar alguém da presidência da República se baseando em ‘indícios mínimos’? O relatório apresentado pelo senhor Jovair Arantes já nasceu frágil e confuso. Esperava-se um posicionamento mais preciso e contundente do deputado, e ele me vem com ‘indícios mínimos’? Tenho a impressão que os políticos perderam totalmente o respeito pela própria política. Impeachment é coisa séria, meu caro. Não pode ser respaldado em algo do tipo: ‘parece que ela cometeu crime mesmo’. Tem que ter denúncia clara, explicita, objetiva.”, explica Dos Santos.

“O parecer apresentado pelo Jovair, com todo respeito, é muito pobre. Como disse antes, é muito frágil e não sustenta um possível impeachment de Dilma Rousseff. Se a oposição quer derrubar a presidente, vai ter que se esforçar mais porque ‘indícios mínimos’, definitivamente, não pode tirar cargo de ninguém, muito menos de uma presidente da República.”, conclui o historiador político.

“Caso processo avance para o Senado, situação da presidente será irreversível”, diz cientista político

Para o cientista político Jorge Gomes, caso o pedido de impeachment seja aprovado na Câmara e parta para o Senado, a situação de Dilma Rousseff será irreversível.

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“O parecer desfavorável ao #Governo, apresentado pelo deputado Jovair Arantes, é uma evidência clara de que as coisas estão mesmo ruins para a presidente da República Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. O governo terá que se articular rápido, pois, pelo andar da carruagem, a tendência é que Dilma sofra mesmo uma derrota na votação do impeachment na Câmara. Caso processo de impeachment avance para o Senado, acredito que a situação da presidente será irreversível.”, afirma Gomes.

“Isso porque, o estrago já será muito grande para o governo. A opinião pública, muito provavelmente, estará ainda mais forte contra Dilma; e a base governista no Senado tende a ficar ainda mais fragilizada, com muita improbabilidade de vitória. Se a presidente quer evitar sua queda, então, tem que conseguir isso agora, na Câmara, isto é fato.”, garante o cientista político.