A ideia, na realidade, não é nova. Já no tempo do mensalão, o líder petista Tarso Genro (ex-governador gaúcho e ex-ministro) defendia que o #PT, diante do escândalo da compra de votos na base aliada, denunciada por Roberto Jefferson, formasse uma nova agremiação que, pelo menos teoricamente, repudiaria as táticas de corrupção e pudesse se apresentar novamente como um partido ético e de grande retidão moral.

Nada disso foi feito e Genro ficou pregando no deserto. Dizia-se, na época, que “refundar” o partido seria admitir os erros. E isso não combinava em nada com o discurso de transformar os casos de corrupção em atos heroicos de quem só queria mesmo fazer o bem para os brasileiros mais pobres.

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O tempo passou e novos escândalos vieram à tona. Agora, com as delações premiadas da Lava-Jato, as coisas se complicaram mais uma vez para o partido. O volume das denúncias e os valores envolvidos nas mirabolantes negociatas já não permitem a narrativa de que os escândalos são apenas ações fora da curva, ou atos classificados como obra de “aloprados”.

Muda PT

Hoje, quando nenhuma destas explicações parece sensibilizar a sociedade brasileira, Tarso Genro volta à cena comandando uma desfiliação em bloco de deputados governistas. Mas isso pode ser só o começo. Por enquanto, os petistas (mesmo os descontentes) estão focados em defender a presidente Dilma no processo de impeachment. Após esse evento e as eleições municipais, o movimento pode ganhar força e culminar com a formação de um novo partido, sobre o qual Genro tem tido conversas e entendimentos, apesar de reforçar para a imprensa que o momento é de lutar contra o impeachment.

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Esse partido, segundo parlamentares petistas comprometidos com a ideia, seria a porta de saída para petistas descontentes com as políticas da tendência majoritária do PT, a do presidente #Lula. A notícia de desfiliação em bloco foi publicada pela Folha de S. Paulo e chegou a ter o desmentido de um político muito ligado a Genro: o deputado Henrique Fontana. Porém o próprio Genro admite ter realizado uma reunião sobre o tema há cerca de vinte dias.

Prefeitos de saída

Um terço dos 72 prefeitos eleitos pelo PT para governar cidades paulistas já deixou o partido. Os motivos vão de mágoas por não terem tido seu “sacrifício” de carregarem o desgaste da sigla devidamente reconhecido, como ocorreu com prefeito de Osasco, Jorge Lapas, até divergências internas locais, como é o caso do prefeito de Embu das Artes, Chico Brito. Por um motivo ou por outro, o fato é que o outrora imbatível Partido dos Trabalhadores vem se esfacelando e lutando para sobreviver, paradoxalmente, com as mesmas táticas que o fizeram chegar a essa situação. #Lava Jato