A política é sempre surpreendente. O senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, anunciou que o partido se manterá na base de apoio à presidente Dilma. Com 57 parlamentares, o partido – ao qual pertence o deputado Paulo Maluf – e que foi o esteio da ditadura militar, sob o nome de Arena, pode se tornar a maior força política da base aliada do governo que se diz “de esquerda”.

Nogueira defendeu a decisão de manter o apoio ao governo dizendo que foi realizada uma enquete com todos os 57 parlamentares da sigla e que 40 deles se manifestaram favoráveis ao apoio à Dilma. Ele disse também que o partido não assumirá qualquer cargo no governo até a votação do impedimento da presidente.

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Porém, integrantes do partido já estão sendo nomeados para cargos técnicos antes ocupados por indicados pelo PMDB.

PP pode ter pastas importantes

O governo acenou com a possibilidade de ter políticos do PP em pastas importantes, como o Ministério da Saúde e o da Integração Nacional, que seriam ocupados, respectivamente, por Ricardo Barros, do Paraná, e Cacá Leão, da Bahia.

Apesar de esses nomes já terem sido lembrados para estas pastas, Nogueira esquiva-se de falar da participação do PP em um governo Dilma depois da votação do #Impeachment. Mas já fala ser “natural” que o partido assuma cargos importantes.

E Maluf?

Pouco antes de essa decisão ser anunciada, o deputado Paulo Maluf, mais conhecida figura política do PP, havia se declarado irritado com o assédio do governo aos parlamentares da sigla e ameaçado votar favoravelmente ao impeachment da presidente.

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“O governo está se metendo em um processo de compra e venda que é detestável”, disse para depois concluir: “Querem construir a maioria no Legislativo dividindo o Executivo”.

Com essa decisão da direção partidária e a declaração de Maluf se dizendo irritado e disposto a votar pelo impeachment, forma-se um desentendimento entre o PP e seu mais conhecido líder. A ironia é que o maior partido da base aliada de um governo que se diz de esquerda pode ser justamente o sucessor daquele que foi o apoio político da ditadura militar. #PT #Dilma Rousseff