Aquele 4 de abril de 1968 parecia ser mais um dia de batalhas e ativismo na vida do advogado e pastor Martin Luther King Jr, um dos maiores ícones na luta contra o racismo e pelos direitos civis. Naquela tarde, como em outras vezes, King estava hospedado no quarto 306 do Lorraine Motel, em Memphis, Tennessee. Ele se preparava para seguir a mais uma das marchas que pediam igualdade de direitos, o fim da guerra do Vietnã e o combate à pobreza.

Hospedado no quarto com seu colega e amigo, Reverendo Ralph David Abernathy, King decidiu ir até a sacada do pequeno hotel de dois andares. Exatamente às 18h01, King foi atingido por um tiro que atingiu sua face e se alojou no ombro.

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Abernathy ouviu o disparo de dentro de quarto, e ao sair encontrou King já inconsciente no chão da sacada. O ativista foi levado ao hospital mas não resistiu aos ferimentos causados pelo tiro, sendo declarado morto às 19h05.

Pouco após o ocorrido, a polícia americana divulgou a identidade do homem que disparou os tiros. James Earl Ray, um fugitivo da Penitenciária Estadual de Missouri, foi preso dois meses após a morte de King no aeroporto de Heathrow, em Londres. Inicialmente Ray confessou o crime, sendo condenado a 99 anos de prisão. Posteriormente, ele tentou negar a autoria do assassinato. Ao longo dos anos, diversas teorias de que a morte de Martin Luther King poderia ter sido uma conspiração – incluindo algumas que apontam o governo americano como responsável – foram levantadas, mas nenhuma delas foi comprovada até hoje.

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Ativismo político

Ministro da Igreja Batista, Martin Luther King começou sua atuação como ativista político em 1955, quando Rosa Parks, uma norte-americana negra, foi presa na cidade de Montgomery, Alabama, por se recusar a deixar seu lugar e ceder o espaço a uma mulher branca, no sistema de segregação racial vigente na época. A detenção de Parks atraiu grande atenção de movimentos defensores da igualdade racial e dos direitos civis, incluindo King, que foi uma das lideranças do boicote de um ano contra a discriminação nos ônibus locais.

Após ganhar notoriedade com sua liderança ativista, King foi um dos fundadores da Conferência da Liderança Cristã do Sul, conhecida por sua atuação engajada pelos direitos humanos. Admirador confesso de Mahatma Gandhi, King usou o exemplo do indiano e seu ativismo de não violência para defender o fim da segregação e do preconceito racial nos Estados Unidos.

Após uma série de marchas, protestos e negociações políticas ao longo dos anos, Martin Luther King foi considerado o principal ícone das lideranças que garantiram aos afro-americanos direitos de voto, igualdade trabalhista e fim da segregação, entre outros.

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Em 28 de agosto de 1963, King foi o maior destaque da “Marcha sobre Washington”, que reuniu um grande número de ativistas pelos direitos civis na capital norte-americana.

Naquele dia, Martin Luther King fez seu lendário discurso “I Have a Dream” (Eu Tenho um Sonho), onde aspirava seu sonho de que um dia brancos e negros seriam iguais perante a sociedade dos Estados Unidos. Uma de suas mais famosas falas, o discurso continua sendo até hoje fonte de inspiração para ativistas políticos e uma das maiores lembranças da eloquência e do senso de justiça e igualdade pregados por King.

Graças ao seu ativismo e sua liderança na luta por uma sociedade mais igualitária, King foi condecorado com o Prêmio Nobel da Paz em 1964. #História #Religião #EUA