“Mas quem é esse garoto que sabe tanto?”, questionou-se certa vez o ex-governador de Minas Gerais, Hélio Garcia (1991-1994). Surpreso, o chefe do Executivo mineiro se referia, na época, ao jovem Antonio Augusto Junho Anastasia, que, mesmo na jovialidade dos seus 29 anos, conhecia o estado como a palma de sua mão pelo trabalho desempenhado na Fundação João Pinheiro e, posteriormente, sua participação na Constituinte Mineira de 1989.

Formado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1983, Anastasia aceitou o convite da Fundação João Pinheiro para dar aulas e, com 22 anos, já era professor. Não buscou a política, ela que veio até a si.

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Sua trajetória na Fundação e a participação na Constituinte Mineira de 1989, de pronto, chamaram a atenção do poder executivo local. Hélio Garcia, governador de Minas Gerais, o chamou para fazer parte da equipe e não teve medo de lançar um novato nos corredores do poder.

Aécio no caminho

Na gestão Garcia, Antonio Anastasia teve o seu batismo em cargos públicos. Foi secretário-adjunto de Planejamento e Coordenação Geral, secretário da Cultura e secretário de Recursos Humanos e Administração, além de ter se tornado presidente da Fundação João Pinheiro. Depois de uma importante trajetória dentro da máquina pública mineira, Anastasia também serviu ao governo federal, dirigido, à época, por Fernando Henrique Cardoso. O mineiro exerceu funções nos Ministérios do Trabalho e da Justiça. Ao voltar para Minas em 2001, um político cruzaria de vez o seu caminho: Aécio Neves.

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Sem muito pensar, Anastasia aceitou coordenar o programa de governo de Aécio para Minas Gerais em 2002. A vitória nas urnas foi sem muitas dificuldades e o modelo do “Choque de Gestão” tornou-se referência a partir da gestão tucana em Minas. Já de cabeça dentro da política e do #PSDB, o ex-professor foi eleito vice na chapa de Aécio Neves, que seria reeleita ao governo de Minas Gerais em 2006. Coube ao próprio Antonio Anastasia, em 2010, substituir Aécio Neves e comandar o estado nos quatro anos seguintes.

O #Senado Federal e a relatoria

Em abril de 2014, Anastasia renunciou ao cargo de governador para coordenar a campanha presencial do amigo e aliado político Aécio Neves, que pleitearia a presidência da República. Se Aécio não conseguiu bater Dilma nas urnas, ao menos Anastasia teve a grande vitória ao se eleger senador com 56,73% dos votos válidos em seu estado. Desde 1° de fevereiro de 2015, Antonio Anastasia ocupa uma das cadeiras do Senado Federal. Agora, se aproxima daquela que, até o momento, será a sua mais importante missão.

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Pois nesta terça-feira, 26 de abril, Anastasia foi eleito, após uma tumultuada sessão, relator do processo de #Impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado Federal. Embora os parlamentares governistas tenham reclamado da falta de isenção do tucano, justamente por ele ser ligado ao candidato derrotado em 2014 Aécio Neves, ele foi eleito com apenas cinco votos contrários.

Em seu pronunciamento ao lado do presidente da Comissão Especial no Senado Federal, Raimundo Lira (PMDB-PB), eleito por aclamação, o relator prometeu “serenidade” no exercício de sua importante função. A partir de agora, Anastasia terá a missão de elaborar o parecer sobre o pedido de impeachment de Dilma Rousseff. Começa, então, a contar 10 dias para que o colegiado aprecie e vote o relatório. A expectativa é que a comissão o vote no dia 9 de maio. Na sequência, no dia 12, a matéria vai ao plenário de Senado.