Conhecido por suas opiniões e atitudes polêmicas, Jair Bolsonaro mais uma vez gerou divergências ao citar o ex-coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra durante o seu voto, neste domingo, 17, na longa, nervosa e tumultuada sessão na Câmara dos Deputados. Por 367 votos favoráveis, 25 a mais do que o necessário, os deputados deram sinal verde para que o processo de impeachment da presidente #Dilma Rousseff fosse ao Senado Federal.

Mas, para a imensa maioria da opinião pública, a fala de Bolsonaro foi de extremo mau gosto. Ustra é conhecido historicamente como um dos militares mais rígidos e temidos da história da Ditadura no Brasil, que durou de 1964 a 1985.

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Durante sua breve fala antes de conceder seu voto, o deputado ainda salientou em tom provocativo: "Perderam em 1964 e vão perder em 2016".

Nos sombrios anos do regime militar, Brilhante Ustra era o grande chefe do Doi-Codi, um órgão de repressão do segundo exército, em São Paulo. Familiares de vítimas, antigos exilados e perseguidos pela diretoria apontam Ustra como o grande responsável por momentos de verdadeiro terror. Nos porões do regime, o coronel era alcunhado de "Dr Tibiriçá", sendo o único militar classificado como torturador pela Justiça.

O Dossiê Ditadura, montada por uma comissão de familiares de mortos e desaparecidos em decorrência do regime, liga Ustra a no mínimo 60 casos de morte e desaparecimentos em São Paulo. Ele comandou o Doi-Codi de 1970 a 1974. A Arquidiocese paulista relatou mais de 500 casos de tortura nesse período.

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O "pavor de Dilma Rousseff", segundo palavras do sempre inflamado deputado Jair Bolsonaro, chegou a ser denunciado pelo Ministério Público em agosto de 2015, por conta da morte do comunista Carlos Danielli, torturado no Doi-Codi no final de 1972. Entretanto, Carlos Alberto Brilhante Ustra não teve mais saúde para se defender com vida. Em outubro de 2012, o ex-coronel da ditadura e herói de Bolsonaro faleceu em um hospital de Brasília, o Santa Helena. Ele lutava contra um câncer na próstata.  #Crise-de-governo