Foi formada e eleita nesta segunda-feira, 25 de abril, a comissão especial que analisará, no Senado Federal, o pedido de impeachment contra a presidente da República #Dilma Rousseff (Partido dos Trabalhadores). A votação simbólica de nomeação da comissão foi realizada, de forma bem rápida, no plenário da Casa, em Brasília. Foram nomeados 42 membros, sendo 21 como titulares e 21 como suplentes, que podem ser convocados caso ocorra a necessidade.

Uma vaga para suplente ainda está desocupada. Isso porque, o PMDB, que tem o direito a esta indicação, ainda não indicou um parlamentar para a função, devendo fazer isto nos próximos dias.

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Na manhã desta terça-feira, 26 de abril, às 10h, haverá a primeira reunião da comissão especial do #Impeachment no Senado para a escolha do presidente e do relator da comissão. O senador peemedebista Raimundo Lira (da Paraíba) deve ser eleito o presidente, enquanto o tucano Antonio Anastasia (PSDB de Minas Gerais) deve ser eleito o relator.

O nome do senador Antonio Anastasia está gerando bastante revolta na bancada do PT no Senado. Os petistas querem barrar a nomeação do tucano nesta terça como relator do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, alegando que tal parlamentar não tem legitimidade para assumir esta função tão importante, e que exige, no mínimo, imparcialidade. Anastasia é declaradamente a favor do afastamento da presidente Dilma. O imbróglio entre petistas e tucanos deve perdurar durante todo o dia de hoje.

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Vale ressaltar que, caso Dilma Rousseff seja derrotada já na próxima votação no plenário do Senado, prevista para acontecer no dia 10 de maio, ela já sofrerá o afastamento de 180 dias, assumindo a cadeira presidencial no Palácio do Planalto em seu lugar o vice-presidente da República Michel Temer (PMDB). Para isso, basta que 41 (maioria mínima), dos 81 senadores, votem sim pelo afastamento da presidente.

“PT tem razão em questionar a eleição de Anastasia”, diz especialista

Para o cientista político Jorge Gomes, que está em Brasília acompanhando de perto o desenrolar da crise política no Governo, a eleição de Antonio Anastasia como relator do pedido de impeachment de Dilma Rousseff é, sim, algo bastante comprometedor.

“Nomear um relator para avaliar um pedido de impeachment, sendo este parlamentar pertencente a um partido historicamente opositor ao partido do que está sendo ameaçado de ser impeachmado, é como ‘dar banana para o macaco e pedir para ele não comer’. Sendo direto, a nomeação de Antonio Anastasia para ser o relator do impeachment de Dilma no Senado é, sim, bastante comprometedora.

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Além disso, ele mesmo não teve o mínimo de pudor ao já declarar abertamente o seu posicionamento a favor do impeachment da presidente. Sem dúvidas, o PT tem razão em questionar a eleição de Anastasia. Resta saber se vai conseguir evitá-la”, questiona Gomes.

“Independentemente da eleição, ou não, de Anastasia como relator da comissão especial do impeachment no Senado, a situação de Dilma Rousseff é muito complicada. Até mesmo membros da bancada petista na Casa já parecem ter ‘jogado a toalha’. Uma derrota mínima na primeira votação no plenário, prevista para maio, já afasta a presidente e poderá dar muita força a Temer, que terá 180 dias para se articular, provavelmente com o apoio de grandes empresários no país, para assumir definitivamente a presidência da República.”, conclui o cientista político. #Crise-de-governo