O Supremo Tribunal Federal (STF), mais alta corte da Justiça brasileira, terá que analisar nos próximos dias se o presidente da Câmara dos Deputados, #Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem condições de permanecer no cargo e seguir na linha sucessória da Presidência da República. Cunha é réu de ação penal no Supremo desde o dia 3 de março, quando 10 ministros decidiram aceitar de forma unânime a denúncia por #Corrupção passiva e lavagem de dinheiro contra o peemedebista, oferecida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Eduardo Cunha é o primeiro réu de ações da Operação Lava Jato no Supremo, e teria recebido pelo menos US$ 5 milhões (cerca de R$ 17,4 milhões) em propina de um contrato do estaleiro Samsung Heavy Industries com a Petrobras.

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Janot chegou a pedir o afastamento do carioca da Presidência da Câmara dos Deputados, mas o STF decidiu adiar a decisão.

Agora, com a chegada do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) - aceito por Cunha - ao Senado, há a possibilidade de que o deputado passe a ser o primeiro na linha sucessória de um eventual governo de Michel Temer (PMDB), e Eduardo Cunha poderia assumir a Presidência interinamente em qualquer viagem de Temer ao exterior. No entanto, a lei proíbe que o presidente exerça o cargo caso seja réu de ação penal no Supremo.

O ministro Teori Zavascki afirmou que vai levar ao plenário do STF a discussão sobre a permanência ou não de Cunha na presidência da Câmara, e a possibilidade do peemedebista assumir o país, ainda que interinamente: "Esse assunto que precisa ser examinado.

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Eu vou levar [ao plenário]". Também integrantes da suprema corte, os ministros Luiz Edson Fachin e Gilmar Mendes se disseram prontos para votar o pedido de Janot. Na ação, o procurador-geral chama Eduardo Cunha de "delinquente", e critica as "manobras espúrias" que o político teria feito para salvar seu mandato e conservar seu poder na Câmara.

O deputado afirma "não se sentir constrangido" por ser réu no STF e presidir uma das casas do Legislativo: "Já fui réu no Supremo antes e fui absolvido por unanimidade. Hoje, tem mais de 70 ou 80 parlamentares que são réus. Tem mais de 170 parlamentares que têm inquérito. Não vejo nenhum constrangimento. Só tem alguém absolvido quando foi processado. Eu já fui processado e fui absolvido". #Lava Jato