Trechos da delação premiada feita pelo senador Delcídio Amaral (ex-PT do Mato Grosso do Sul), nos quais ele cita a presidente da República #Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual vice-presidente da República Michel Temer (PMDB), serão incluídos no inquérito da #Lava Jato, a mando do relator da Operação no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Teori Zavascki.

A determinação para inclusão dos trechos foi feita nesta quarta-feira, 20 de abril, após pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

O inquérito da Operação Lava Jato está em tramitação no STF desde março do ano passado, quando foram abertas as investigações sobre a formação de quadrilha no esquema de corrupção da Petrobrás, que ficou mundialmente conhecido como o “petrolão”.

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Ainda com relação aos trechos da delação premiada do senador Delcídio Amaral, outras autoridades do país também foram citadas pelo mesmo, e tiveram seus nomes incluídos no inquérito.

Mesmo tendo seus nomes citados por Delcídio, Dilma Rousseff, Lula e Michel Temer não passaram a ser formalmente investigados pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo Rodrigo Janot, as informações obtidas com a delação do ex-petista são muito importantes e servirão para elucidar algumas questões a cerca das investigações sobre o esquema de corrupção da Petrobrás. Ao todo, 40 nomes já estão entre os investigados.

Impeachment x Novas Eleições

Para o sociólogo e cientista político Jaime Pondé, caso seja formalizada uma denúncia do STF à Dilma, Lula e Temer, a tendência é que “às ruas” passem a clamar mesmo por novas eleições no Brasil, e não mais por impeachment.

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“Existe muita gente que quer o impeachment de Dilma, porém, não apoia o vice-presidente Michel Temer. Desse conflito nasceu a ideia de se fazer novas eleições, que vem ganhando força a cada dia na sociedade brasileira. Caso seja formalizada no Supremo Tribunal Federal uma denúncia contra a presidente Dilma Rousseff, contra Lula, e também contra o vice-presidente Michel Temer, a partir dos trechos coletados de Delcidio Amaral em sua delação premiada, a tendência é que ‘às ruas’ passem a clamar mesmo por novas eleições no país, e não mais pelo impeachment de Dilma.”, acredita Pondé.

“Isso se deve pelo fato de que há muita gente caindo em contradição ao defender a queda de Dilma, alegando que a presidente é corrupta (mesmo sem haver provas concretas contra ela), e apoiando que a mesma seja substituída por Temer, que, aos poucos, também vem tendo seu nome envolvido em casos de corrupção. Ou seja, tirar uma suposta corrupta para colocar um suposto corrupto é, no mínimo, contraditório. Por isso, a corrente que apoia novas eleições deve ganhar força, caso Temer seja mesmo formalmente investigado pelo STF.

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E se ele não puder assumir, quem assumirá é Eduardo Cunha. E aí? Para não haver esse risco assombroso, talvez seja melhor mesmo votar tudo de novo.”, conclui o especialista.

No Senado

Em relação à tramitação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado, foi decido pelo presidente da Casa, Renan Calheiros, que a formação da comissão especial só vai acontecer na próxima segunda-feira, 25 de abril, depois do “feriadão”. Contudo, já está certo que o PMDB vai ocupar a presidência da comissão, enquanto o PSDB vai ficar com a relatoria. #Crise-de-governo