A Presidente da República do Brasil, #Dilma Rousseff, discursou na manhã desta sexta-feira, 22, na tribuna da Organização das Nações Unidas (#ONU), direto de Nova York, nos Estados Unidos. Ela disse estar honrada e emocionada em participar de um acordo tão importante para o planeta em pleno Dia da Terra. Agradeceu ao presidente da França, François Hollande, ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e aos negociadores do governo brasileiro, chefiada pela ministra do meio ambiente, Isabela Teixeira, "para que coletivamente chegássemos a esse acordo".

Diferente do que muitos pensaram, Dilma não falou sobre o processo de impeachment que sofre no Brasil, e também não citou diretamente a palavra golpe no seu discurso.

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Porém, ela disse que o nosso país está enfrentando um "grave momento". No final do seu discurso de 9 minutos, Dilma reservou cerca de 30 segundos para dizer o seguinte:

"Não posso terminar minhas palavras sem mencionar o grave momento que vive o Brasil. A despeito disso quero dizer que o Brasil é um grande país, com uma sociedade que soube vencer o autoritarismo e construir uma pujante democracia. Nosso povo é um povo trabalhador, e com grande apreço pela liberdade. Saberá, não tenho dúvidas, impedir quaisquer retrocessos. Sou grata a todos os líderes que expressaram a mim sua solidariedade. Muito obrigada".

Focando no grande objetivo da visita da presidente à América do Norte, Dilma Rousseff assumiu o compromisso de, diante de centenas de outros governantes mundiais, " assegurar a pronta entrada em vigor do acordo [climático] no Brasil".

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Ela prometeu ao mundo uma grande redução no nível de emissões de gases de efeito estufa do Brasil e desmatamento zero na floresta amazônica nos próximos 14 anos.

"Meu país está determinado em intensificar ações de mitificação e de adaptação. Anunciei aqui, durante a cúpula da agenda de desenvolvimento 2030, a contribuição brasileira de 37% de redução dos gases de efeito estufa até 2025, assim como a ambição de alcançarmos uma redução de 43% até 2030, tomando 2005 como o ano base em ambos os casos [...] Nosso desafio é restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas, e outros 15 milhões de pastagens degradadas. Promoveremos também a integração de 5 milhões de hectares na relação lavoura, pecuária e florestas. Todas as fontes renováveis de energia terão sua participação em nossa matriz energética ampliada até alcançar 45% em 2030."

Dilma ainda usou o palanque para defender os mais pobres. Ela disse que o governo brasileiro se esforçou em criar metas "ambiciosas e ousadas porque sabe que os riscos associados aos efeitos negativos recaem fortemente sobre as populações vulneráveis do nosso país e do mundo".

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Ainda segundo Dilma, "sem a redução da pobreza e da desigualdade não será possível vencer o combate a mudança do clima, e esse combate tão pouco pode ser feito a custa dos que menos tem e menos podem."

Ela lembrou ainda a realização da conferência Rio+20, no Brasil, em 2012, cujo foco foi incluir, crescer, conservar e proteger os recursos naturais da Terra.

Assista ao discurso de Dilma Rousseff na ONU completo:

A chegada

Ontem, 21, na chegada de Dilma em Nova York, dezenas de manifestantes a seu favor e contrários ao impeachment lhe entregaram flores. Brasileiros contrários a Dilma também marcaram presença, e gritaram palavras de ordem contra a chefe de estado.

Com receio de ter as suas imagens machadas no exterior, representantes da oposição repudiaram qualquer fala de Dilma insinuando que o processo de destituição do cargo contra ela faz parte da ação de golpistas, visto que ainda não existe nenhum crime comprovado contra a sua pessoa.

No Twitter, internautas pró-impeachment chegaram a promover uma série de mensagens em inglês com a tag #DilmaLiedToTheUnitedNations (Dilma Mente nas Nações Unidas), para que os estrangeiros pudessem ver e não acreditar no discurso da presidente. #Sustentabilidade