Ele resolveu falar. Pela primeira vez após ser afastado do cargo de presidente da Câmara dos Deputados, #Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deu uma importante entrevista e revelou pontos decisivos sobre a recente queda do governo #Dilma Rousseff. À Folha, Cunha garantiu que Dilma lhe ofereceu ajuda dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) para livrá-lo das acusações que o envolviam na Operação Lava Jato, que investiga desvios de verbas públicas da Petrobras à partidos políticos.

Na entrevista, o ex-presidente da Câmara deixa claro que essa teria sido uma tentativa do Palácio do Planalto em barrar o avanço do #Impeachment dentro do Congresso Nacional.

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Segundo palavras de Cunha, no entanto, em nenhum momento ele pensou em aceitar, até por "não acreditar que alguém possa controlar o STF". Ele também revelou que teve um encontro, ainda no ano passado, com o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, da ala do PMDB ligada à Dilma.

"No dia em que eu estive com a presidente Dilma Rousseff, que foi no dia 1° de setembro, eu havia ido para uma audiência convocada por ela para falarmos sobre algumas medidas e outras coisas. Nessa reunião, ela me disse que estava com cinco ministros do Supremo Tribunal Federal para me ajudar", revelou Cunha.

O encontro com o governador Pezão, segundo Cunha, se deu neste mesmo sentido. Ambos se encontraram em uma reunião no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente, cargo então ocupado por Michel Temer - o novo presidente da República após a recente admissibilidade do processo de impeachment de Dilma Rousseff dentro do Senado Federal.

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"Ela disse isso (de que contava com cinco ministros do STF à disposição). Mas não falou os nomes dos ministros e nem para qual tipo de ajuda serviriam. Em um outro momento, quando eu estava em Brasília, o Pezão me ligou querendo uma audiência de maneira urgente. Acabamos nos encontrando no Palácio do Jaburu. Lá, pedimos licença ao Temer e nos direcionamos a um local reservado. Ele veio com a mesma conversa dos cinco ministros", ampliou o ex-presidente da Câmara.

Capitão do golpe?

Eduardo Cunha refuta completamente a alcunha que ganhou de Dilma, que por mais de uma entrevista o chamou de "capitão do golpe". Na mesma entrevista à Folha, o peemedebista releva que rejeitou 41 pedidos de impedimento de Dilma antes de aceitar o assinado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr e Janaína Paschoal, ainda em dezembro de 2015. Segundo ele, se caso fosse de fato o "capitão" do processo, este já teria ocorrido bem antes.

"Recebi 53 pedidos dessa natureza contra a presidente da República. Nenhum outro presidente do Brasil recebeu tantos assim.

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Desses todos, rejeitei 41 e ainda existem 12 a serem analisados. O impeachment já teria saído há muito tempo se eu fosse o tal capitão do golpe. Não aceitei a ideia de que o exercício do mandato anterior influenciava no atual. E também não dei margem ao tema da corrupção. A questão foi a irresponsabilidade com as despesas sem a apreciação do Congresso", explicou Cunha.