O presidente afastado da #Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), está impedido de exercer suas funções como deputado há exatos 13 dias, mas nem por isso deixa de articular por detrás dos panos. O objetivo de Cunha é que o plenário da Câmara dos Deputados vote a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que resolveu afastá-lo.

Mesmo escanteado pelo STF e pelo presidente interino da República, Michel Temer, #Eduardo Cunha ainda acredita que possui força suficiente com o plenário da Câmara dos Deputados. Ele confia que sua influência é capaz de fazer com que os deputados votem e revoguem a decisão tomada pelo plenário do STF de forma unânime.

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A base da estratégia de Eduardo Cunha tem como pilar o caso do senador Delcídio do Amaral, cassado um dia antes da votação do impeachment pelo Senado Federal. Segundo o exemplo de Cunha, o STF decidiu prender de forma preventiva Delcidio por tentativa de obstrução da Lava Jato, porém, essa decisão teve que ser referendada por uma votação no plenário do Senado.

Plano em prática

Na última segunda-feira (16), três partidos que fazem parte da base de apoio a Cunha (PSC, PP e SD) entraram com uma ação junto ao STF pedindo que uma ação judicial que envolva diretamente o exercício do mandato de um parlamentar precise passar pelo crivo da sua respectiva Casa Legislativa.

O deputado Paulinho da Força (SD-SP) já afirmou por diversas vezes que Eduardo Cunha possui o comando de um terço do plenário.

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É baseado nesse prognóstico que o presidente da Câmara afastado acredita que pode derruba a decisão do STF caso a ação de seus aliados seja acatada pelo Supremo

Renúncia

Eduardo Cunha já nega a possibilidade de renunciar há muito tempo. Diversos deputados aliados já sugeriram que ele renunciasse, pelo menos, a seu cargo de presidente, acreditando assim que o plenário da Câmara iria, em um acordo, salvar seu mandato. Cunha rechaça sempre essa ideia.

Mesmo com a ascensão de Waldir Maranhão (PP-MA) a presidência da Câmara, algo que nenhum dos aliados de Cunha, tampouco ele, apoiam, nem assim Eduardo Cunha cogita a possibilidade de renunciar. Se o presidente afastado renuncia ao cargo, segundo o regimento interno, é obrigatório que a Câmara dos Deputados realize uma nova votação para eleger um outro presidente.

Cassação

Enquanto Eduardo Cunha arquiteta seus planos mesmo afastado, o Conselho de Ética continua a tocar seu processo de cassação. Cunha informou que irá comparecer nesta quinta-feira (19), no Conselho de Ética, para ele próprio realizar sua defesa no último dia que está estipulado, segundo o cronograma.

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Privilégios

Mesmo afastado e proibido de exercer suas funções como deputado federal, Eduardo Cunha segue com os privilégios do cargo. Contrário a essa ideia, o PSOL entrou com uma representação para suspender os benefícios de Cunha. Segundo ato da Mesa Diretora, o presidente afastado continuará recebendo seu salário, R$ 33,7 mil, a verga de gabinete, R$ 35,7 mil, R$ 92 mil para contratação de até 25 funcionários para seu gabinete, além de dispor de carro e casa. #Dentro da política