“Eu saí da condição de presidente operacional do Brasil. Mas eu ainda sou a presidente efetiva do Brasil. E a legítima”.

Esta e outras declarações fortes de #Dilma Rousseff foram conseguidas pelo jornalista americano Glenn Greenwald, editor do site The Intercept, em uma entrevista de pouco mais de vinte minutos gravada no Palácio da Alvorada. Foi a primeira vez que Dilma conversou com um jornalista após ser afastada da chefia do Executivo na última quinta-feira, 12.

A presidente respondeu a vários questionamentos que estão em alta no momento, em tom amigável e, por vezes, enfático. A seguir, veja um resumo dos principais temas tratados na conversa:

Sobre a o ministro Gilmar Mendes

Logo no início, Dilma declarou que o ministro Gilmar Mendes, do STF, tem uma posição "um tanto quanto militante" e que ele "está tomando atitudes que serão avaliadas ao longo do tempo pelos brasileiros".

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Greenwald a questionou sobre o fato do ministro ter “retirado” o processo de Aécio Neves (PSDB), sitado diversas vezes por delatores na Operação Lava Jato da Polícia Federal, de tramitação. 

Sobre a possibilidade de manifestações contrárias ao ‘golpe’ serem reprimidas com a Lei Antiterrorismo

Quando questionada se a Lei Antiterrorismo (13.260/2016), que foi sancionada por ela em março deste ano, poderia ser usada para enquadrar manifestantes contrários ao ‘golpe’ — como sugeriu ao mesmo entrevistador o ex-presidente Lula —, Dilma disparou: "sinto muito, mas aí eu tenho uma pequena divergência com o presidente Lula. Todas as coisas obscuras [no texto enviado pelo Senado] nós vetamos".

Sobre o PT ter ‘ajudado bilionários e grandes empresas’

Glenn Greenwald apontou a declaração recente de um jornalista americano de que o PT "ajudou bilionários e grandes empresas".

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Dilma se mostrou incomodada e repetiu o tom de contra reposta que ficou famoso quando conversou com a jornalista Patrícia Poeta, que a visitou no Palácio do Planalto no início de seu primeiro mandato, em 2011: "Se você me explicar onde eu ajudei bilionários e empresas grandes... eu agradeço". E pontuou que seu governo vem "fazendo política anticíclica" desde 2011 — lutando contra a crise econômica sem desfavorecer aos mais pobres. Citou todos os programas sociais que servem como uma espécie de “cartão de visitas” ao Partido dos Trabalhadores.

Sobre as relações internacionais do Brasil

Dilma declarou também que seria ‘ignorância’ se o governo em exercício se distanciasse da Unasul, do Mercosul (dois blocos de países sul americanos com composições diferentes para cooperação mútua) e dos BRICs (bloco formado pelos emergentes Rússia, Índia, China, Africa do Sul e Brasil). “São grandes conquistas para o Brasil. Não ter uma relação estreita [com os blocos] é uma temeridade. É uma temeridade! Seria no mínimo uma grande ignorância da situação internacional”, declarou.

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Sobre Eduardo Cunha e Michel Temer

Ao responder sobre o porquê de ter escolhido Michel Temer e Eduardo Cunha como aliados tão próximos, já que agora os acusa de encabeçar um ‘golpe’, Dilma discorreu sobre o processo político no Brasil. "Talvez um dos mais distorcidos do mundo. Aumenta o número de partidos sistematicamente. E cada vez, os governos vão precisando de mais partidos para formar a maioria simples e a maioria de dois terços do Parlamento".

Dilma recusou-se a responder se é melhor para o país que aconteçam novas eleições ou que Michel Temer siga no poder caso seu impedimento seja confirmado. “Eu estou lutando até o fim”.

Veja a entrevista:

#Impeachment #Dentro da política