Nesta quarta-feira (4), o senador Antonio Anastasia (PSDB/MG), relator do processo de #Impeachment no Senado, apresentou o relatório que concluiu pela admissibilidade do processo contra a presidente #Dilma Rousseff.

O resultado era previsto e considerou que houve crime de responsabilidade. O processo tem como fundamento as "pedaladas fiscais" e os decretos de créditos suplementares sem aprovação do Congresso Nacional.

Desconstruindo a tese, segundo ele propagada por Dilma inclusive no exterior, de que seu governo está sendo vítima de um golpe, Anastasia citou leis e a Constituição. No documento, classificou a estratégia da defesa de "desqualificar o impeachment" como "impertinente" e "descabida".

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Na quinta-feira (5), José Eduardo Cardozo fará, mais uma vez, a defesa da presidente perante os senadores. A votação do parecer deve ocorrer na sexta-feira (6), porém a decisão final sobre a abertura do processo de impeachment está prevista para o dia 11 de maio, quando será votada em plenário.

Dilma, Lula e Cardozo: obstrução da Justiça

Além do processo de impeachment, juntamente com o ex-presidente Lula e o advogado-geral da União José Eduardo Cardozo, a presidente pode ser investigada por tentativa de obstrução da Justiça. Sob sigilo, o pedido de investigação inclui conversas telefônicas autorizadas pelo juiz Sérgio Moro, nas quais Dilma avisava Lula do envio do termo de posse como ministro da Casa Civil, para que este usasse "em caso de necessidade". O pedido feito pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot ao Supremo Tribunal Federal (STF), será analisado pelo ministro Teori Zavaski, relator da Operação Lava Jato.

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Os investigadores acreditam que a nomeação de Lula tinha o objetivo de livrá-lo do juiz Sérgio Moro, responsável pela #Lava Jato em primeira instância, através do foro privilegiado.

O documento também cita a delação do senador Delcídio do Amaral, que acusou a presidente de ter indicado Marcelo Navarro Ribeiro Dantas para o Superior Tribunal de Justiça, com o intuito de interferir na Lava Jato.

A surpresa neste pedido é a inclusão de José Eduardo Cardozo, que defende a presidente na Comissão Especial do Impeachment. Lula, que já foi denunciado por tentar comprar o silêncio de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, teve seu nome incluído em uma lista de 30 pessoas do PT e do PMDB no inquérito principal da Lava Jato. Caso o STF aceite mais este pedido de Janot, o ex-presidente passa a ser investigado por fazer parte da organização criminosa que atuava na Petrobras. O dinheiro desviado da estatal teria como um dos destinos o financiamento das campanhas da presidente.