Delcídio do Amaral, que já era "ex-PT" e atualmente está sem legenda partidária, agora é também ex-senador, depois que 74 de seus colegas no Senado decidiram pela cassação do seu mandato. A votação aconteceu nesta terça-feira (10), no plenário da Casa, depois de o Conselho de Ética do Senado julgar processo contra o senador e declinar pela anulação da sua representatividade pelo MS.

O Senado Federal possui 81 cadeiras, mas cinco senadores faltaram. Assim, dos 76 representantes estaduais que participaram da sessão, 74 votaram a favor da cassação do mandato de Delcídio. Os outros dois votos são referentes a uma abstenção e o voto do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), que não foi dado.

Publicidade
Publicidade

O ex-senador petista não recebeu, sequer, um único voto a favor da manutenção do seu mandato.

Antes de ser colocada em pauta, a votação do processo sofreu uma tentativa de adiamento por membros da CCJ, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado, que pretendiam favorecer Amaral com o atraso. Mas Renan Calheiros ameaçou também adiar a votação do impeachment da Presidente #Dilma Rousseff caso a manobra da CCJ perpetuasse e, assim, na noite desta segunda-feira (9), a Comissão decidiu pela continuidade do processo contra o senador.

Delcídio é praticamente o pivô dos principais escândalos denunciados pela Operação #Lava Jato, da Polícia Federal. Ao ingressar no programa de delação premiada, o ex-líder do governo Dilma no Senado acusou o ex-presidente Lula e sua sucessora de terem trabalhado na tentativa de libertação de empreiteiros presos na Operação.

Publicidade

Já no Conselho de Ética do Senado, o que culminou com a decisão pela cassação do mandato de Amaral foi a promessa que ele fez a Bernardo Cerveró, filho de Nestor Cerveró - ex-diretor da Petrobras e que também foi preso na Operação Lava Jato, condenado a cinco anos de prisão por lavagem de dinheiro recebido de propinas pagas pelo esquema de #Corrupção na estatal - de que ajudaria financeiramente sua família, além de propor arquitetada fuga do Brasil.

Toda a conversa foi gravada e entregue por Bernardo aos agentes da Polícia Federal responsáveis pelas investigações da Lava Jato, o que resultou na prisão do ex-senador no mês de novembro passado. Com sua detenção, Delcídio resolveu aceitar a proposta de delação premiada e, a partir de então, passou a relatar tudo o que era do seu conhecimento sobre a corrupção no Governo Federal.

Segundo o ex-membro do Partido dos Trabalhadores, Lula foi quem lhe deu ordens para que evitasse a citação do nome de José Carlos Bumlai, seu amigo pecuarista, por parte de Nestor Cerveró em seu acordo de delação premiada.

Publicidade

Ainda segundo Delcídio, a nomeação do desembargador Marcelo Navarro para Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) tinha como objetivo principal a libertação de empreiteiros detidos na Lava Jato.

Coincidentemente, o número de votos a favor da cassação do mandato de Delcídio é o mesmo de pessoas relacionadas em suas denúncias por envolvimento direto ou indireto no esquema de corrupção na Petrobras; 74.

Nesta segunda-feira, o ex-líder do governo no Senado defendeu-se, na CCJ, alegando não ter cometido falhas que o elegessem a ter seu mandato revogado e disse ainda que apenas tomou as medidas denunciadas por ordem da Presidente da República, Dilma Rousseff, e de membros do seu governo. "Eu não roubei, não desviei dinheiro, não tenho conta no exterior. Estou sendo acusado de obstrução de Justiça. E isso quando eu, como líder do governo, inadvertidamente errei mas agi a mando. Eu errei mas vou perder o mandato?", contestou Delcídio em seu discurso.