A figura de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) já carrega controvérsias desde o seu primeiro aceno com a política, em 1989, quando foi tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor no Rio de Janeiro, com a benção do seu primeiro padrinho político, Paulo Cesar Farias.

Ele ingressou no PRN em 1989, e, em 1991, foi indicado por PC Farias a Collor como a figura que deveria assumir a presidência da Telerj. Sob seu comando, estourou um escândalo de superfaturamento dentro da instituição, que culminou com o pedido por parte do Sindicato dos Trabalhadores em Comunicação do Rio de Janeiro para sua saída em 1992, mesmo ano em que Collor, o presidente que o indicou, estava sofrendo um processo de impeachment.

Publicidade
Publicidade

Depois de ser “expulso” da Telerj pelos sindicalistas, Cunha ganhou um padrinho espiritual e financeiro, o deputado federal a época, Francisco Silva. Evangélico, Cunha passou a frequentar a Assembleia de Deus, onde se achou e montou seu curral eleitoral. Em 1998, #Eduardo Cunha assumiu o primeiro cargo eletivo. Com apenas 15 mil votos, ele se tornou suplente de deputado estadual.

Não satisfeito com a vida de suplente, Eduardo Cunha assumiu a Companhia Estadual de Habitação (Cehab), nomeado por Anthony Garotinho, agora seu desafeto, que era governador do Rio de Janeiro, em 1999.

No ano 2000, seu segundo escândalo estourou. Ele seria afastado da Cehab por denúncias de contratos sem licitação e a realização de negócios com empresas fantasmas.

Força na Câmara

Considerado um dos políticos mais habilidosos nos bastidores, Eduardo Cunha é conhecido por sempre manter suas promessas aos deputados.

Publicidade

Isso o tornou um líder dentro da Câmara dos Deputados. Foi no segundo mandato de Lula que Cunha resolveu assumir o protagonismo e se aliou ao PT, porém, com sua base de seguidores, vieram as pressões por cargos. Como vice-líder do PMDB ele conseguiu ajudar o PT na CPI do Apagão Aéreo em 2007.

A força de Eduardo Cunha crescia mais e mais. Sua base de apoio evangélica é bastante fiel, e suas pautas conservadoras serviam para que ele já mostrasse suas garras.

Em 2013, Cunha se elegeu líder da bancada do PMDB na Câmara dos Deputados. Com seus fiéis escudeiros a postos, e na liderança da maior bancada da Casa, as forças de Cunha atingiam o que muitos acreditavam ser o máximo.

Porém, em 2015, se deu o ponto mais alto. Cunha se elege presidente da Câmara dos Deputados sem o apoio do PT, que lançou o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). Desse momento em diante, as relações entre Eduardo Cunha e o PT se encerraram e foram de mal a pior.

Presidente da Câmara mais conservadora desde 64

Eduardo Cunha tanto tentou que conseguiu fazer com que PT e PMDB rompessem depois de anos de aliança.

Publicidade

Se pararmos para analisar com bastante cuidado os aliados de Eduardo Cunha, vamos perceber que o PMDB não faz parte dele. Paulinho da Força (SD), André Moura (PSD) e Beto Mansur (PRB) são alguns dos fiéis escudeiros de Cunha, e nenhum é de seu partido.

Com o objetivo claro de derrubar a presidente Dilma, ele sabia que apenas com seus aliados não seria capaz de conseguir os votos necessários. Paulinho da Foça, por exemplo, afirma com todas as letras que Cunha comanda um grupo de 180 deputados, quase um terço da Câmara. Matemática simples: são necessários dois terços para passar o impeachment. O apoio do PMDB era fundamental.

Assim foi feito. Eduardo Cunha por diversas vezes declarou apoio ao rompimento e falou em o PMDB conseguir lançar candidatura própria em 2018. Ao ter o anuncio oficializado do rompimento, Cunha foi um dos mais discretos na comemoração, como é seu jeito natural, mas sabia por dentro que seu objetivo havia sido atingido.

Agora, depois de fazer todo o trabalho, e ter conseguido ascender de um tesoureiro de campanha a terceiro na linha sucessória, por dias não sendo o segundo, Cunha é afastado aos 45 do segundo tempo. Ele já havia declarado algumas vezes que podia até cair, mas que a presidente Dilma seria afastada antes dele. No fim, parece que o doce foi tirado de sua boca. #Dilma Rousseff #Dentro da política