Enquanto estamos comemorando o afastamento de #Eduardo Cunha da presidência da Câmara pelo STF, o jogo político tem continuidade sem que o interesse público seja fator a interferir nas decisões. Afinal de contas, Cunha já cumpriu seu papel ao aprovar não apenas o impeachment, mas outras pautas que são motivo de indignação entre os brasileiros, mas que atendem às demandas da nossa elite governamental.

Hoje, quinta-feira, seria o dia em que o afastamento de Cunha seria julgado em definitivo pelo Supremo Tribunal. Em vez disso, Teori Zavascki emitiu uma liminar (ou seja, provisória) determinando o afastamento do político de seu mandato como deputado federal e, consequentemente, da presidência da Câmara.

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Com essa liminar, o julgamento não acontece e Cunha ainda pode recorrer ao plenário da Casa.

Antes de ser afastado, Cunha acelerou a tramitação e aprovou o pedido de urgência para reajustes salariais de ministros do STF de R$ 33.763 para R$ 39.293,38. Porque esse reajuste teria um "efeito cascata", o teto salarial de todos os magistrados federais aumentaria (como do Superior Tribunal de Justiça, Tribunal Superior Eleitoral, Tribunal Superior do Trabalho e Superior Tribunal Militar), causando um impacto anual de mais de R$ 710 milhões nas contas públicas.

Na semana anterior, fora aprovada urgência para proposta de reestruturação da carreira dos servidores do Ministério Público Federal (MPF), a qual também trata de aumentos salariais. Além disso, houve aprovação de outra urgência, referente aos reajustes salariais dos servidores do Judiciário para até 41,47% - aumento que por si só impacta as contas em quase R$6 bilhões ao ano!

Com o julgamento favorável ao impeachment pelos senadores, liderado por Anastasia, a votação das propostas acima mencionadas terá prioridade na Câmara, que agora tem como novo presidente Waldir Maranhão, do PP, e tudo indica que haverá aprovação.

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Maranhão, que é aliado de Eduardo Cunha, também é citado na Operação Lava Jato como um dos maiores beneficiários de seu partido no esquema de propina. Foi ele o responsável, ainda, por acolher o recurso de Carlos Marun (PMDB) no Conselho de Ética que anulou a decisão pela investigação de Cunha. #Corrupção #Crise-de-governo