Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, deu entrevista ao UOL quinta-feira (05) e fez suas primeiras críticas abertas ao governo Dilma e sua participação nos Jogos Olímpicos Rio 2016. A Olimpíada começa daqui a três meses. De acordo com ele, a presidente não teve "habilidade política" e a prefeitura carioca teve que assumir obras que cabiam ao governo federal. Paes também afirmou que recebeu telefone do vice-presidente Michel Temer para garantir ao Comitê Olímpico Internacional que não haverá mudanças se ele assumir a presidência antes dos Jogos começarem.

O UOL relembrou que o prefeito, em 2002, falou que os Jogos no Rio seriam as melhores Olimpíadas que já existiram, mas atualmente ele fala em "fazer o melhor evento dentro do que dá para fazer".

Publicidade
Publicidade

Ele desconversou, afirmando que parte da cobertura da Arena de Tênis foi feita em 2012, quando a crise ainda não havia chegado, e que usa os jogos de Barcelona como parâmetro. O seu objetivo é fazer um evento tão impactante quanto o da cidade europeia.

O prefeito foi cobrado sobre a obra do Parque Olímpico. A previsão era de que ela ficaria pronta um ano antes dos Jogos, mas isso não aconteceu. Paes respondeu que o Comitê Organizador solicitou que algumas entregas fossem atrasadas, mas que a Arena do Futuro, por exemplo, já estava pronta há meses, mas só foi inaugurada semana passada. E ironizou afirmando que não vê razão em obras ficarem prontas um ano antes do previsto, pois desse forma seria apenas um gasto a mais, com "ar-condicionado e segurança" sendo pagas antes do necessário, e classificou a exigência do comitê como "exagero".

Publicidade

"Por que toda essa exigência com o Brasil?" questionou.

O UOL ainda falou sobre a ciclovia Tim Maia, que teve trecho que desabou no fim de abril. A obra foi feita pela Concremat, que também monitora obras dos Jogos. Paes respondeu que assim que os estudos forem concluídos, se a culpa da empresa for confirmada, ela será proibida de licitar, contratar ou participar de qualquer coisa no Rio. Os contratos que têm atualmente serão cancelados. "Ela tem pouca coisa", garante ele, afirmando que não há nada de "execução" dos Jogos nas mãos da empresa. Ele também diz que a prefeitura assume todos os erros sobre o caso, pois também tinha o dever de fiscalizar a obra e identificar problemas.

Saiba mais

NY Times critica poluição no Rio de Janeiro e pede provas em outro país #Rio2016 #Impeachment #Crise-de-governo