A crise política que se abate sobre o Brasil dá mostras de que está longe de um desfecho, independentemente da mudança de governo no país. Em poucas semanas, já sob o governo do presidente interino Michel Temer, novos diálogos vão sendo revelados, a partir de conversas gravadas entre a cúpula do PMDB, envolvendo o ex-presidente José Sarney, o senador Renan Calheiros e o delator Sérgio Machado. Embora o conteúdo das conversas retrate o período anterior à nova administração, mesmo assim, aumenta a tensão política, em se tratando da crise já instalada há alguns anos no Brasil.

Sarney crê que Dilma se complica

Os mais recentes diálogos divulgados a partir do acordo de colaboração premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, são de alta relevância e considerados bombásticos.

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Os áudios revelados nesta quinta-feira(26), trazem à tona, conversas carregadas de preocupação entre caciques da cúpula do PMDB, destacando-se o ex-presidente da República, José Sarney.

As gravações denotam toda preocupação de Sarney em relação à situação da presidente afastada Dilma Rousseff. José Sarney demonstra enorme preocupação ao se referir à delação premiada de Marcelo Odebrecht. De acordo com ex-mandatário do País, "vão contar tudo, vão livrar a cara do Lula. Vão pegar a Dilma", afirmou, prevendo o teor de uma delação premiada do dono da empreiteira Odebrecht, num claro sinal de que a cúpula do PMDB previa que não poderia impedir os desdobramentos da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal.

As revelações contidas em mais um trecho de áudio divulgado na imprensa, revelam acordos espúrios em torno de pagamentos ilícitos do publicitário da campanha da presidente afastada, João Santana, direcionados a Dilma Rousseff, de acordo com as afirmações de Sarney.

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Vale ressaltar que a força-tarefa da Operação Lava-Jato, sob o comando do juiz federal Sérgio Moro, tem se reunido e colocado todas as tratativas para tentar um acordo de colaboração premiada para que seja firmado com a Odebrecht, a maior empreiteira do país.

Defesas contestam

A defesa da presidente afastada Dilma Rousseff afirmou em nota que ela jamais pediu qualquer tipo de favor que pudesse ser uma afronta ao princípio da moralidade pública. Já os advogados do ex-presidente José Sarney afirmaram em nota que ele tornou-se amigo de Sérgio Machado há vários anos, e portanto, as conversas ocorreram em razão da solidariedade entre ambos. A defesa repudiou ainda que os diálogos tenham se tornado públicos, porque podem até ferir outras pessoas. #Lava Jato #Corrupção #Crise no Brasil