A classe artística  é a que mais repudia o afastamento da presidente #Dilma Rousseff. Caracterizam todo o processo de #Impeachment como um "golpe", mesmo que o processo siga todo um rito constitucional. Alegam não ver legitimidade na posse do presidente interino Michel Temer, e a atitude deste de extinguir o ministério da cultura e fundi-lo ao MEC, a fim de reduzir gastos, acirrou ainda mais os ânimos. O que leva a toda essa devoção dos artistas ao governo Dilma?

Denunciando o “golpe” em Paris

No dia 17 de maio, artistas brasileiros que exibiram seu filme “Aquarius”, no renomado festival de cinema de Cannes (França), tiveram uma atitude inusitada: exibiram no tapete vermelho do evento, cartazes onde denunciavam que “um golpe de estado está acontecendo no Brasil” e que o governo de Michel Temer é “ilegítimo”, expondo ainda mais a confusa e grave situação política e econômica brasileira.

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Detalhe: 13 dias antes do afastamento de Dilma Rousseff, a produção do filme foi autorizada a arrecadar 2,9 milhões de reais através da lei federal de incentivo à cultura (Lei Rouanet), que permite que empresas usem parte do imposto de renda pago ao governo para financiar projetos artísticos, em troca de exposição da marca por parte dos beneficiados.

Letícia vai a Roma

No dia 10 de maio, a atriz Letícia Sabatella, defensora nata do governo Dilma, foi até o vaticano e relatou ao papa Francisco o ‘golpe de estado’ que está ocorrendo no Brasil. Porém, a fala não produziu o efeito esperado, pois o pontífice apenas dedicou orações ao atual cenário político brasileiro.

Detalhe: A atriz, que também é cantora, recebeu 1,5 milhão para financiar um de seus projetos artísticos através da Lei Rouanet.

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Tico, o advogado fiel

O músico Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas, é um dos defensores mais ferrenhos da presidente afastada Dilma Rousseff . Envolvido em polêmicas quase diárias relacionadas ao assunto, o cantor não tem nenhum receio em defender o governo petista em suas redes sociais e programas de televisão.

Porta dos fundos: brincando com coisa séria

Um dos canais mais famosos do Youtube, o humorístico porta dos fundos, causou polêmica meses atrás com o vídeo “delação”, onde zombam nitidamente da operação Lava Jato, um dos principais pilares de todo o alvoroço em cima do atual governo. Integrantes do grupo, como a cantora Clarice Falcão e o humorista Gregório Duvivier, expõem publicamente serem contra o impeachment de Dilma Rousseff.

A brincadeira não foi muito bem recebida pelo público, causando um grande boicote nas redes, cancelamentos de inscrições no canal e negativações no vídeo.

Detalhe: em 2015, o porta dos fundos foi autorizado a arrecadar 7,5 milhões de reais para custear a produção de um filme.

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Muitos outros artistas defendem com unhas e dentes a continuação do uso de dinheiro publico em projetos artísticos e a permanência de Dilma no poder. Porém, fatos com o rombo de mais de 140 bilhões nas contas públicas, a situação caótica do SUS, a educação em frangalhos... nada disso parece preocupá-los.

É raro colocar o nome dos defensores ferrenhos do governo Dilma no Google acompanhados da palavra Rouanet sem encontrar resultados na pesquisa. Mas quando indagados sobre seus posicionamentos, a alegação é a mesma: a defesa da democracia. Será mesmo? 

  #Crise econômica