Mais um ministro do governo interino de #Michel Temer pede afastamento do cargo em menos de 20 dias desde que o peemedebista assumiu o comando do país no Palácio do Jaburu, em Brasília, no lugar da presidente da República Dilma Rousseff (PT), afastada pelo Senado Federal por 180 dias. Desta vez foi Fabiano Silveira, que estava à frente do ministério da Transparência, quem pediu para deixar a função dada por Temer.

No último domingo, 29 de maio, o programa “Fantástico”, da Rede Globo de Televisão, divulgou gravações de áudios nas quais Fabiano Silveira conversa com o ex-senador e ex-presidente da Transpetro (filial da Petrobrás), Sérgio Machado, e critica a Operação Lava Jato, comandada pelo juiz Sérgio Moro, em Curitiba (Paraná).

Publicidade
Publicidade

Em menos de 24 horas da reportagem ser veiculada pelo jornalismo da Globo, Silveira pediu demissão do cargo que exercia em menos de 20 dias no ministério da Transparência.

Agora são dois os ex-ministros de Michel Temer. Antes de Fabiano Silveira, na semana passada, Romero Jucá pediu para ser afastado do cargo à frente do ministério do Planejamento, justamente após o vazamento de uma gravação de áudio na qual conversa com o mesmo Sérgio Machado. Na referida gravação, os envolvidos falam em tentar “barrar” o andamento das investigações da Lava Jato com o intuito de proteger políticos, sobretudo, os peemedebistas, como o ex-presidente da República, José Sarney, e o atual presidente do Senado, Renan Calheiros.

Na carta de demissão que enviou no início da noite de ontem, segunda-feira, 30 de maio, ao presidente interino Michel Temer, o agora ex-ministro da Transparência, Fabiano Silveira, afirma estar sendo alvo de “especulações insólitas”.

Publicidade

Mesmo tendo afirmado para a imprensa, logo após a repercussão da reportagem divulgada pela Rede Globo, de que manteria Silveira em seu cargo, Temer aceitou o pedido de demissão do mesmo e deve anunciar o substituto ainda essa semana.

“Nova queda é mais uma mancha para o governo interino”, diz especialista

Para o sociólogo e cientista político Jaime Pondé, afastamento de segundo ministro, em menos de um mês, compromete a confiança da opinião pública em relação ao governo em exercício de Michel Temer.

“Trata-se de mais uma fumaça para Temer apagar. No entanto, esta nova queda é mais uma mancha para o governo interino. A cada novo ministro que cai, e este é o segundo em 20 dias, cai também a segurança da opinião pública com relação ao novo governo. Michel Temer entrou com a promessa de mudanças na política, mas, até o momento, o que se vê é uma série de vazamentos de áudios que estão o comprometendo pelo fato de está afetando diretamente aos seus correligionários, exatamente como aconteceu com Dilma.

Publicidade

Ou seja, o que há de novo, então? ‘Ele não sabia’; ‘Ele não está envolvido com isso’; ‘Ele não foi citado’... Desculpe, mas eu já ouvi isso antes...”, afirma Pondé.

“Se quiser manter o apoio da maioria da opinião pública, Michel Temer terá que conseguir se afastar destes e dos próximos vazamentos de áudios comprometedores que podem vir à tona nos próximos dias e meses. Além disso, algum resultado imediato terá que já ser visto e sentido pela população, pois, caso isso não aconteça, e as instabilidades continuem surgindo, existe a possibilidade do PT reconquistar alguma força no cenário político e midiático, e isso pode ser péssimo para as pretensões do PMDB de seguir no comando do país até 2018.”, conclui o especialista político. #Crise no Brasil #Crise-de-governo