Na cadeia, há quase um ano, e condenado a cumprir, pelo menos, mais dezoito anos de prisão, Marcelo Odebrecht começou as conversas para contar o que sabe em troca de redução de pena, e assinou o termo de confidencialidade do acordo, na última quarta-feira (25). 

A decisão de delatar veio porque a empresa está em crise, e agora poderá buscar também acordos para poder voltar a ter contratos com o poder público. A negociação foi dura, porque os procuradores exigiram uma delação completa, que vai além dos crimes cometidos contra a Petrobras.

Os depoimentos de Marcelo Odebrecht já começaram na sede da Polícia Federal em Curitiba.

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Além dele, outros executivos do grupo também devem falar, inclusive Emílio Odebrecht, pai de Marcelo. Os investigadores também vão ter acesso a toda a contabilidade do chamado "departamento de propinas" da construtora. 

No departamento de propinas, foi encontrada uma lista com mais de 300 nomes de políticos, entre eles, vários com foro privilegiado, como Renan Calheiros e Eduardo Cunha, além de outros deputados e senadores. A expectativa é de que a delação de Marcelo explique essa planilha, e também dê informação sobre o financiamento das campanhas à presidência de Dilma Rousseff e Michel Temer, e a de Aécio Neves.

Agora os procuradores estão tratando com cautela essa decisão de Marcelo Odebrecht. No passado, Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, assinou o termo, mas não finalizou seu acordo de delação, pois o Ministério Público considerou que as revelações feitas por ele não ajudaram as investigações.

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A partir da assinatura do termo de confidencialidade, Marcelo deverá entregar todas as informações sobre as doações feitas às campanhas para presidência. Neste depoimento, Marcelo poderá detalhar quais foram os pedidos feitos por políticos, tanto a ele quanto ao grupo. Neste caso, o PP, PT, PSDB e PMDB, partidos que são investigados na operação Lava Jato poderão ser citados na delação da Odebrecht. Ainda não foi confirmado se as doações foram por meios legais ou caixa 2. Mas, em outros documentos, tudo indica que alguns repasses foram feitos sem o conhecimento da Justiça Federal. #Corrupção #Reforma política