Ao receber o relatório, José Carlos Araújo, presidente do Conselho de Ética, foi surpreendido por cinco representações contra ele, como suposta compra de votos. Apesar de não ter adiantado o voto, o relator do processo Marcos Rogério sinaliza que vai pedir a cassação de Cunha, por ele ter mentido na CPI da Petrobras, negando ter contas no exterior. De acordo com o relator, se for demonstrado que isso realmente aconteceu, ele não tem dúvidas de que o Conselho terá a oportunidade de dar um voto seguro, consciente e com vistas ao interesse do parlamento do Brasil.

Mas as acusações de que Cunha tenha recebido propina vão ficar fora do relatório.

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Isso foi uma determinação do atual presidente da Câmara, Waldir Maranhão. Em entrevista para o Jornal Hoje, o deputado Carlos Marlin foi claro ao dizer que no Conselho de Ética se trabalha com provas estabelecidas. Segundo ele, o que existe de prova hoje é o depoimento de Eduardo Cunha frente à CPI da Petrobras e o fato de que efetivamente ele possui vinculações com trustes (entidades legais que administram bens e recursos) na Suíça.

No último dia 19 de maio, Eduardo Cunha prestou um depoimento aos integrantes do Conselho de Ética. No depoimento, Cunha disse não ser o dono das contas, mas admitiu que é beneficiário dos fundos geridos por trustes. Cunha, atualmente, está com mandato suspenso, e, por isso, se mantém afastado da presidência da Câmara dos Deputados por decisão do STF (Superior Tribunal Federal).

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Hoje, em nova manobra para salvar Eduardo Cunha, Waldir Maranhão assinou um ofício que altera as regras do processo de quebra de decoro. Waldir aposta que o Conselho de Ética não vai aprovar a cassação, e quer garantir que essa decisão não seja mudada no plenário.

O Conselho de Ética é composto por 21 integrantes. Agora o relatório de Marcos Rogério precisa ser aprovado pela maioria. Se não for aprovado, será designado um novo relator para elaborar um outro parecer. Após passar pelo conselho, o parecer deve ser votado no plenário da Câmara. #Reforma política #Crise-de-governo