Não demorou muito para que a decisão do presidente interino da Câmara dos Deputados, o parlamentar Waldir Maranhão (PP-MA) tomasse conta do noticiário de todo o país. O substituto de Cunha na Casa decidiu anular a votação que deu a admissibilidade do processo de impeachment que pode tirar Dilma Rouseff (PT) da presidência da República e dar o "trono" para Michel Temer (PMDB), o vice da petista.

Contudo, a decisão não foi vista com bons olhos pelos membros do Legislativo. O líder do Democratas na Câmara, por exemplo, o deputado Pauderney Avelino (AM), disse que a decisão de Maranhão foi "esdrúxula" e completou chamando-o de "desequilibrado".

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"Esta decisão dele não tem nenhum valor", justificou Avelino. De acordo com o deputado, o "novo" presidente da Câmara não pode agir sobre um processo jurídico "perfeito e concluído". Avelino prometeu que irá recorrer ao STF para que o direito dos parlamentares que votaram pelo #Impeachment de Dilma Rouseff seja respeitado.

Além disso, o deputado afirmou que Maranhão não passa de uma pessoa "que está subserviente ao terminal governo do PT", protestou.

O parlamentar lembrou ainda que o Supremo Tribunal Federal pode recorrer contra a anulação e disse que o também presidente do Senado, Renan Calheiros, pode ir contra a decisão de Maranhão e dar prosseguimento ao processo.

Já Antonio Imbassahy (BA), líder do PSDB, partido de oposição à Dilma, falou que está redigindo no momento um mandado de segurança para garantir o direito de voto respeitado.

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"É um equívoco gravíssimo", opinou.

A votação que deu admissibilidade pelo impedimento de Dilma contou com mais de 360 votos a favor.

Por meio de nota, o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, disse que esse tipo de ato atende interesses momentâneos de grupos políticos, ignorando decisões já tomadas. A Ordem se posicionou contra Maranhão e falou que não irá aceitar um "vale-tudo" à margem da Constituição.

Governistas comemoram

A notícia foi motivo de comemoração para o lado de Dilma Rouseff. O deputado José Guimarães (PT-CE), líder do partido na Câmara, falou que Maranhão decidiu anular o processo por vontade própria e não influenciado pelos petistas.

No Senado, Humberto Costa (PT-PE) declarou que a decisão do presidente interino da outra casa legislativa foi o "primeiro passo para anular o impeachment todo".

Lindbergh Farias (PT-RJ) declarou que "o jogo começou de novo". #Dilma Rousseff #Crise-de-governo