Grande parte dos ministros deste governo interino apresentam histórico duvidoso e entre eles está Blairo Maggi, do PP, também conhecido como "rei da soja". Em 2005, foi "agraciado" com o anti-prêmio Motosserra de Ouro, por ser considerado um dos maiores promotores do desmatamento da Floresta Amazônica.

Ele chegou a fazer a seguinte declaração, quando entrevistado pelo The New York Times: "Para mim, um aumento de 40% no desmatamento não significa nada; não sinto a menor culpa pelo que estamos fazendo aqui. Estamos falando de uma área maior que a Europa toda e que foi muito pouco explorada. Não há nenhuma razão para se preocupar".

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Maggi também discursou sobre a defesa de um tratamento diferenciado para o estado do Mato Grosso, do qual foi governador, afirmando à Folha de S. Paulo que aquele não deveria ser incluído como estado amazônico: "As pessoas que vivem aqui têm uma cultura quase que genética. São descendentes de alemães, italianos, que têm a #Agricultura no sangue. Todos que vivem nesta região têm esse desejo, essa ansiedade, de produzir e fazer um futuro melhor, e aí essa carga de informação com a qual ele foi educado está fazendo esse contraponto hoje com a questão ambiental. É dentro dessa perspectiva que Mato Grosso tem que ter um tratamento diferenciado".

O Mato Grosso, depois do governo de Maggi, apresentou o dobro de atividade no que concerne ao desmatamento, sendo uma das áreas de maior destruição florestal da Amazônia Legal, perdendo apenas para o estado do Pará - entre 2012 e 2013, foi responsável por 621 km² do total de 2.007 km² desmatados. 

No dia 27 de abril, sem muito alarde, o senador foi relator da PEC 65/2012, que suspende a necessidade de avaliações técnicas previstas para o licenciamento ambiental previsto na Constituição Federal, a qual foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça.

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Com essa PEC, ficaria garantida a continuidade de obras sem uma avaliação sobre os impactos ambientais por elas causados, impedindo um embargo judicial no caso de desmatamento, por exemplo.

O autor da PEC, senador Acir Gurcacz, do PDT, admitiu à BBC Brasil que teria benefícios particulares com a aprovação da emenda constitucional, uma vez que ela possibilitaria a conclusão de obras da BR-319, que liga Porto Velho a Manaus e que vem tendo a manutenção embargada com frequência nos últimos anos, por descumprir com os cuidados para a devida preservação ambiental. Uma empresa do pai de Gurcacz realiza transporte comercial de passageiros na rodovia que passa por 28 unidades de conservação florestal. 

Ao admitir interesse pessoal na aprovação da PEC que ele mesmo redigiu, Gurcacz feriu o artigo 6º do Código de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, que obriga o senador a se declarar impossibilitado de votar a matéria ou a apresentar documento que "explicite razões pelas quais entenda como legítima sua participação na discussão" quando houver conflito com interesses patrimoniais.

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Ainda assim, sua falta nesse sentido foi ignorada e a proposta foi aprovada. #Crise-de-governo