Em entrevista concedida nesta terça-feira, 17 de maio, ao jornal Folha de São Paulo, o novo ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP do Paraná), afirmou que, possivelmente, em momento ainda não definido pelo governo, o Brasil “terá que repensar alguns direitos universais” garantidos à população brasileira pela Constituição Federal (promulgada em 1988), como, por exemplo, o acesso à saúde por meio do SUS (Sistema Único de Saúde), que pode vir a ter o tamanho (alcance) revisado.

O novo ministro da saúde, inclusive, chegou a comparar a atual situação por qual o país passa com o que ocorreu na Grécia, que teve que cortar as aposentadorias das pessoas para se reestruturar economicamente.

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Ricardo Barros afirmou, ainda em entrevista para Folha, que tal ação foi realizada pelo governo grego pelo fato de que este “não tinha mais condições de sustentar os direitos universais outrora garantidos para a população”, o que, segundo Barros, pode vir a acontecer também com o Brasil.

Ainda segundo as declarações de Ricardo Barros, a grave crise econômica que se instalou no Brasil, sobretudo, a partir do segundo semestre de 2015, comprometeu, de forma bastante significativa, a capacidade financeira do país de suprir todas as garantias da Constituição para o povo brasileiro. De acordo com Barros, será preciso que o novo Governo Federal encontre um equilíbrio justo entre o que as pessoas têm o direito/necessidade de receber e o que o Estado tem condições de sustentar.

APERFEIÇOAMENTO DA GESTÃO DO SUS

O novo ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que vai aperfeiçoar a gestão do SUS no que diz respeito aos sistemas de informação e controle dos gastos.

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A meta principal de Barros é a de realizar investimentos eficientes, o que pode, com isso, evitar os gastos desnecessários que comprometem o orçamento do governo destinado à Saúde. Atualmente, o valor repassado pelo Palácio do Planalto ao ministério da Saúde gira em torno de 110 bilhões de reais, como afirma o novo ministro.

MÉDICO AVALIA PROPOSTAS DE BARROS

Para o médico e cirurgião, Augusto Cesar Bastos, 53, o novo ministro está certo em criar uma gestão mais eficiente dos gastos relacionados ao SUS.

“Li a entrevista do novo ministro da Saúde, Ricardo Barros, para a Folha e concordo quando ele diz que é preciso criar uma gestão mais eficiente dos gastos relacionados ao Sistema Único de Saúde. No entanto, eu temo quando ele fala que será preciso revisar o programa, pois, não sei como isto será feito. A população não pode pagar por erros de gestão cometidos pelo governo. Se o orçamento está apertado foi porque alguém apertou, e esse alguém não foi o povo. Então, porque é sempre ele quem paga?”, questiona Bastos.

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“Ainda acredito que uma boa gestão pode fazer com que a Saúde volte a funcionar dignamente neste país, sem precisar realizar cortes doloridos para a população. O combate às fraudes nesse momento é essencial para o governo conseguir reestruturar o orçamento para novos investimentos. É preciso “caçar” os bandidos que duplicam os cartões do SUS para vender remédios, além de criar sistemas mais seguros para evitar este tipo de fraude. Uma administração precisa e correta, é disso que necessita a Saúde neste país.”, conclui o médico. #sistema de saúde #Crise-de-governo