O pastor Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus, teve passaporte diplomático concedido pelo atual ministro das Relações Exteriores, José Serra, do PSDB. Essa concessão é um benefício normalmente apenas dado a autoridades e esta é a primeira vez desde o início das operações pela Polícia Federal que o benefício é destinado a alguém que não atue diretamente na política.

Vale mencionar ainda que José Serra integra o time de políticos com reputações duvidosas escolhido por Michel Temer para compor os ministérios. Serra é suspeito de ter recebido propina durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, vinda dos empresários que estavam envolvidos com o processo de privatização de empresas governamentais no país.

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Samuel Ferreira é investigado pela Lava-Jato por suspeita de lavagem de dinheiro da propina a Eduardo Cunha, por meio de sua igreja em Campinas. Com esse passaporte, que também foi concedido à sua esposa, Keila Ferreira, outra pastora, Samuel tem direito, juntamente com a mulher, a entrar e sair de qualquer país com o qual o Brasil detém relações diplomáticas, sem a necessidade de visto.

Segundo declaração do Itamaraty, a concessão é justificada por se tratar de uma portabilidade "em função do interesse do país". Sobre qual seria o interesse nacional nas viagens para o exterior do pastor Samuel e sua esposa, no entanto, a imprensa não foi informada. Ademais, o decreto (5.978/06) não prevê a concessão do passaporte em específico para líderes religiosos.

Esse passaporte confere, a quem o portar, atendimento preferencial nos postos de imigração e isenção de visto em certos países.

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Trata-se de um documento que dá a seu portador o status de "agente do governo", normalmente destinado ao ou à  presidente e ao ou à vice-presidente da República, ex-presidentes, governadores, ministros, ocupantes de cargo de natureza especial, militares em missões da ONU, ministros do STF, procurador-geral da República e juízes brasileiros em tribunais internacionais, entre outros.

A igreja de Ferreira é investigada por ter recebido 250 mil reais do lobista Julio Camargo, que se tornou delator da Lava-Jato. Camargo confessou que o pagamento era parte da propina de 5 milhões destinada a Eduardo Cunha por conta de contratos de navios-sonda da Petrobrás - transações também relatadas por Alberto Youssef. O pastor Samuel negou-se a dar explicações sobre o caso.

Desde 2011 o sistema de concessão dos passaportes diplomáticos foi alterado, dando ao ministro das Relações Exteriores o poder de dar tais passaportes a quem julgasse válido. À época, o ministro Celso Amorim chegou a conceder o referido documento aos filhos de Lula. #PSDB #Corrupção #Crise-de-governo