Os chamados Direitos Culturais estão previstos na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 e são garantidos, no Brasil, pela Constituição Federal. A necessidade da cultura é reconhecida por se tratar de uma área formadora da sensibilidade humana e de sua singularização por meio da apreciação da identidade cultural.

A extinção do Ministério da Cultura é fruto de indignação pois se trata de um setor ainda carente de desenvolvimento no Brasil e a redução de investimentos em projetos culturais vai na contra mão do que se espera de um país que precisa retomar seu crescimento. O desaparecimento do MinC prejudica um grande número de artistas e produtores que mesmo antes já enfrentavam dificuldades para a produção e promoção de eventos, por conta da burocracia e altos custos generalizados. 

A declaração do pastor e deputado federal Marco Feliciano revela um desconhecimento sobre uma área tão importante para o desenvolvimento de um país que é a sua cultura e chega a ser sintomática do descaso político.

Publicidade
Publicidade

Infelizmente, não surpreende que Feliciano, opositor e pregador do ódio contra religiões de matrizes africanas - as quais são parte de nossa cultura e deveriam ser fomentadas -, subvalorize o trabalho de artista e intelectuais. 

É interessante notar que são justamente esses trabalhadores que se empenham no estímulo à formação de pensamento crítico no povo brasileiro, esforçando-se para levar a arte e a cultura a todos, sem restrições. Trata-se de uma ação que tem o potencial de fazer concorrência e, portanto, prejudicar a atuação das igrejas evangélicas, uma vez que, além dos cultos, produzem shows e encontros destinados a um público que engloba tanto a classe média quanto os menos favorecidos economicamente.

O pastor diz ainda aos artistas e intelectuais do MinC: "vá arrumar o que fazer, pare de ficar sugando nas tetas do governo e vamos fazer nosso país caminhar".

Publicidade

A ironia de Feliciano considerar desocupados e interesseiros os trabalhadores da cultura está no fato de ele, como deputado, empregar pastores da igreja como seus assessores, com salários que chegam a 7 mil reais mensais fornecidos pela Câmara, sem que precisem cumprir expediente em Brasília ou em Orlândia, onde fica o escritório político do pastor. No histórico do deputado federal está ainda uma ação penal no STF por estelionato.

#Corrupção #Crise-de-governo