O presidente do Senado, Renan Calheiros, anunciou na tarde de segunda-feira (9) a recusa por parte do Senado Federal ao pedido de anulação da votação da Câmara dos Deputados em 17 de abril, feito hoje pelo presidente interino da Câmara dos Deputados.

O presidente do Senado, após ouvir a argumentação de alguns senadores, discutiu a anulação do processo feita pelo presidente interino Waldir Maranhão com outros parlamentares e decide manter o calendário na casa pelo prosseguimento da sessão que decide sobre o processo de #Impeachment no Senado.

Renan foi duro nas palavras e disse que o princípio mais sagrado do parlamento é a decisão do colegiado, que nenhuma decisão monocrática pode se sobrepor a uma decisão colegiada, ainda mais que esta decisão foi tomada pelo "mais relevante colegiado da casa", e ainda mais pelo "quorum" verificado "pelo exposto deixo de conhecer do ofício da Câmara dos Deputados e determino que sua juntada autos da denuncia numero 1 de 2016 com esta decisão".

Publicidade
Publicidade

Renan Calheiros ainda chamou a tentativa de Maranhão de interferir no Senado de "brincadeira com a democracia". Em seguida, foram pedidas as palavras por diversos senadores, os governistas seguiram no mesmo discurso.

Em pronunciamento, disse o senador Cássio Cunha, "A decisão do presidente da Câmara é inexistente", dizendo ainda que não há mais competência da Câmara para falar desse processo, comparando a tentativa do deputado Waldir Maranhão a uma tentativa de, por exemplo, um juizado de primeira instância de interferir num julgamento de segunda instância. 

A deputada do PT Gleisi Hoffmann também discursou e tentou convencer que o recurso impetrado pela AGU era tempestivo, citando a corte Interamericana de Direitos Humanos, dizendo que houve parcialidade e vício no processo, alegando cerceamento de defesa, "não deixaram o AGU fazer uso da palavra", disse a senadora Gleisi.

Publicidade

O presidente afastado Eduardo Cunha também se pronunciou hoje a respeito da atitude de Waldir Maranhão e declarou ser "absurda, irresponsável e antirregimental".

O advogado-geral da União Cardozo foi indagado pela imprensa sobre o encontro um tanto secreto entre ele e o presidente interino Waldir Maranhão, na noite de domingo (8) e respondeu que não trataram de nada escondido nem irregular.

Renan Calheiros disse ainda que Waldir Maranhão esta tentando fazer uma "brincadeira com a democracia", rebatendo o formato da decisão, em forma de oficio e não de resolução, além de desconsiderar o conteúdo do documento, considerando-o inclusive totalmente intempestivo.