O cearense Sérgio Machado foi um político de carreira discreta. No entanto, no começo do governo Lula, em 2003, assumiu o comando da Transpetro, indicado pelo PMDB. Pouco mais de 11 anos depois, envolvido no escândalo do #Petrolão e investigado pela Operação Lava Jato, licenciou-se do cargo. O afastamento de Machado da presidência foi exigido pela PricewaterhouseCoopers (PwC), como condição para assinar a auditoria de um balanço da empresa.

Machado, que foi deputado federal e senador pelo Ceará nos anos 1990, passou pelo PMDB, mas elegeu-se pelo PSDB, depois de coordenar a campanha do tucano Tasso Jereissati para governador e ter sido secretário de Governo. Segundo políticos que foram seus contemporâneos na Câmara e no Senado, ele tinha um perfil articulador e conciliador, atuando mais nos bastidores do que na tribuna.

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O escândalo das gravações

Depois que Sérgio Machado firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, cujo conteúdo ainda está sob sigilo, gravações de diálogos com políticos causaram pânico em Brasília.

O primeiro a ser derrubado pelo conteúdo das gravações foi o Ministro do Planejamento Romero Jucá, que em uma conversa sugeriu "mudança" no governo para "estancar essa sangria", referindo-se à #Lava Jato. Jucá defendeu o impeachment de Dilma: "não adianta mandar o Lula pra cá ser ministro". Ele comentou o medo das delações que estão por vir: "querem pegar todo mundo". Citando Aloysio Nunes, José Serra e Aécio Neves, Jucá afirmou que "já caiu a ficha" do PSDB.

Anteriormente aliado de Renan Calheiros, o agora delator divulgou que o presidente do Senado queria que fosse alterada a lei das delações premiadas, a fim de impedir a colaboração de presos nas investigações da Lava Jato.

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Renan é investigado em sete inquéritos que tratam da corrupção na Petrobras. Em um dos trechos, Calheiros chama o procurador-geral da República Rodrigo Janot de "mau caráter" e reitera que Janot "faz tudo o que esta força tarefa quer".

Também o ex-presidente José Sarney aparece nos áudios. Em um deles, contou que Lula teria dito que eleger Dilma Rousseff foi seu único erro. Em outro momento, Sarney prometeu ajudar Machado a não ser preso. Em um dos diálogos de maior impacto, Sarney demonstrou apreensão sobre o que pode vir dos executivos da Odebrecht: "eles vão abrir, vão contar tudo. Vão livrar a cara do Lula e vão pegar a Dilma... Quem tratou do pagamento do João Santana foi ela". João Santana foi marqueteiro da campanha de Dilma, sob suspeita de ter sido paga pela Odebrecht.