O procurador Rodrigo Janot pediu, por meio da Procuradoria-Geral da República, a abertura de inquérito ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que se inicie a investigação na Operação Lava Jato sobre o envolvimento no “petrolão” de nomes importantes do atual cenário político do país, dentre os quais, inclusive, o da presidente da República #Dilma Rousseff (PT), que enfrenta um duro e desgastante processo de impeachment, agora em tramitação no Senado Federal.

O pedido de Janot foi feito na manhã desta terça-feira, 03 de maio, e, além de Dilma, visa investigar também o envolvimento de outros políticos no esquema de corrupção da Petrobrás, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (também do PT), o senador tucano Aécio Neves (Minas Gerais); que concorreu com Dilma Rousseff nas últimas eleições presidenciais (2014), e do atual presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB do Rio de Janeiro), acusado de manter contas bancárias “fantasmas” na Suíça, dentre outros casos de corrupção.

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A solicitação feita por Rodrigo Janot ao STF foi baseada na delação premiada do ex-senador petista Delcídio do Amaral (Mato-Grosso do Sul). Além dos nomes já citados, o pedido apresentado oficialmente nesta manhã pelo procurador quer que se investigue também a suposta participação do ministro da educação, Aloizio Mercadante, do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marcelo Navarro, e do ministro da Comunicação, Edinho Silva, que já estava sendo investigado pela #Lava Jato.

Após a conclusão do encaminhamento do pedido de Janot, caberá ao relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, o ministro Teori Zavascki, a decisão final de abrir, ou não, os inquéritos de investigação solicitados pelo procurador-geral da República contra os políticos citados por Delcídio do Amaral.

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Além da abertura das investigações, Rodrigo Janot quer também barrar definitivamente a nomeação de Lula como ministro-chefe da Casa Civil. Os procuradores acreditam que tal ação do Governo compromete significativamente o andamento das investigações a cerca do “petrolão”.

“Investigações devem ser feitas, mas delação não é garantia de nada”, diz especialista político

O historiador político João Marcos Dos Santos acompanha atentamente o andamento da crise política no Brasil. Para ele, as investigações solicitadas pelo procurador Rodrigo Janot devem, sim, ser realizadas pela Lava Jato, porém, é preciso ter cautela quanto à delação premiada feita pelo ex-senador do PT, Delcídio do Amaral.

“As investigações devem ser feitas, mas delação não é garantia de nada, ainda mais quando esta delação é ‘premiada’. O pedido feito por Rodrigo Janot é legítimo, e, se há suspeitas, então, é preciso apurá-las. Todavia, quem acompanha mais de perto o atual cenário político no Brasil, que está vivendo um dos períodos de acirramento entre opositores mais fortes de toda a sua história, sabe que existe um tom de revanchismo na delação de Delcídio do Amaral, que, como dizem as expressões populares por aqui, ‘jogou a pizza no ventilador’ e ‘atirou para tudo quanto é lado’.

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Por isso, a Lava Jato precisa ser extremamente cautelosa nas investigações.”, sugere Dos Santos. #Crise-de-governo