Sérgio Moro, juiz federal que deflagrou a operação #Lava Jato, escreveu artigo em exclusividade à revista "Exame" e declara que: "A #Corrupção sistêmica no país é uma fraqueza institucional e cultural".

Moro faz algumas reflexões sobre a maior operação de combate à corrupção já vista no país, e diz que em se tratando dos casos já julgados, foram feitas pelo menos 10 sentenças de condenação para os crimes de lavagem de dinheiro, através da Petrobras. Diz que, lógico que entre os avanços da Lava Jato, não está contabilizando os casos pendentes de situações particulares, dependentes de provas específicas. Pelo menos em sete sentenças, Moro condenou dirigentes das principais empreiteiras do país, assim como diretores da Petrobras, beneficiários do esquema e intermediários, entre corruptos e corruptores.

Esquemas que vão além da corrupção de agentes

Sérgio Moro declara que o esquema criminoso de lavagem de dinheiro vai além da corrupção dos agentes da estatal envolvidos e cita casos de dois ex-parlamentares federais, que foram beneficiados pelo esquema de propinas. Diz ainda que o dinheiro arrecadado foi para o financiamento ilegal de partido político. Sérgio Moro afirma que em um contexto mais amplo, a própria estatal negou problemas de governança até meados de 2014, mas logo após passou a admitir os crimes de corrupção, em seu balanço de 2015. Diz ainda que, algumas empreiteiras começaram a reconhecer sua responsabilidade e comprometeram-se a revelar os esquemas ilícitos fazendo acordos de leniência com o Ministério Público.

O juiz federal afirma ainda, que o fato mais espantoso não demonstra o quão dramática é a questão das práticas de corrupção acordadas entre as empreiteiras e os beneficiados no esquema de lavagem de dinheiro. Foi constatado que tais práticas corruptas tornaram-se "naturais" nos contratos públicos. As propinas eram negociadas com base em taxas estabelecidas previamente com percentual fixo, calculado sobre o valor do contrato. Moro diz ainda que este fato era a "regra do jogo" e que o pagamento de 1% a 2% era a regra de divisão da propina entre políticos, funcionários e intermediários.

Impacto na economia

Moro declara que o custo da corrupção sistêmica no país é por demais onerosa, chegando a ponto de gerar impostos gigantescos na economia e no orçamento público. O juiz afirma que a corrupção sistêmica afeta decisões de investimentos, proporcionando prejuízos ainda maiores pela necessidade de gerar recursos para pagamento de propinas.

Sérgio Moro termina dizendo que o governo tem responsabilidade direta na criação de um ambiente político e econômico, propício para a livre corrupção, e diz que agentes políticos corruptos devem ser expulsos da vida pública. E ainda afirma que leis para punir estes agentes e proporcionar um sistema de justiça criminal mais transparente ao público devem ser criadas. Declara ainda que, dizer não ao pagamento de propina e denunciar a exigência dela, é fator preponderante para se instaurar a harmonia dentro do sistema público e privado, e possibilitar a extirpação desta prática vergonhosa que é a corrupção no Brasil.