O governo Temer tem mais uma baixa importante. As gravações de Sérgio Machado derrubaram o segundo ministro em menos de 20 dias. Dessa vez foi o da Transparência, fiscalização e controle. Fabiano Silveira não resistiu às pressões após ser flagrado supostamente criticando a #Lava Jato e dando instruções de como escapar da investigação.

A questão fez o governo encarar um dilema: não afastar o ministro significaria um desgaste permanente, além de negar o discurso do presidente de que não há interferência na Lava Jato. Mas demiti-lo poderia melindrar um aliado importante, o senador Renan Calheiros, a quem Fabiano Silveira é ligado.

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Por meio de nota, Calheiros declara que, em face das especulações, reitera de maneira pública e oficial que não irá indicar, sugerir, recomendar e nem mesmo opinar sobre a escolha de autoridades do governo, porque acha incompatível com a independência entre os três poderes.

Mas houve forte divisão no núcleo central de governo. Em sucessivas reuniões, ministros avaliavam que Silveira não resistiria à pressão, caso servidores do ministério se recusassem a aceitá-lo no cargo. Outra ala lembrava o presidente de que não era hora de brigar com Renan, que comanda a casa onde tramita o impeachment de Dilma. O presidente Temer cogitou até manter Silveira no cargo, mas aliados do Democratas e PSDB sinalizaram que não aceitariam a decisão.

Os servidores do ministério pressionaram pela demissão de Silveira.

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Eles levaram faixas e cartazes e entregaram cargos de direção e chefia como forma de protesto. O carro do ministro foi proibido de entrar no prédio.

No início da noite de hoje (30), o planalto comunicou que Silveira havia entregue a carta de demissão. Ele sustenta que nunca se opôs ao trabalho do Ministério Público, e que fez apenas comentários genéricos na conversa gravada. Por outro lado, ele admitiu que o episódio traria reflexos para o cargo, por isso decidiu se afastar.

As gravações foram feitas entre fevereiro e março deste ano pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, na casa de Renan Calheiros. Além do presidente do senado, estavam presentes seus dois advogados e Fabiano Silveira, ex-membro do Conselho Nacional de Justiça, indicado por Renan. #Reforma política #Crise-de-governo