Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) discutiram, nos bastidores da instituição, uma possível prisão direta do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O questionamento, que partiu de dois de seus membros, chegou a ser cogitado em virtude dos claros indícios de que, o parlamentar se utilizou, por diversas vezes, do cargo para cometer uma série de atos que caracterizam claramente um desvio de poder. Apesar da discussão, a maioria decidiu somente pelo afastamento, com receio de que tal medida pudesse afetar a ordem pública e o curso do processo que corre no próprio  Superior Tribunal.

O próprio STF faz um auto questionamento de quando usar o recurso da prisão preventiva

O episódio do afastamento de Cunha serviu para trazer à tona um questionamento que existe entre os seus ministros.  Por que não decretar a prisão preventiva do deputado, diante de tantos fatos que mostram que ele se utilizou do cargo para a prática de atos criminosos? Além de tais fatos, os seus membros alegaram que o parlamentar atuou diretamente para atrapalhar as investigações contra si mesmo na #Lava Jato e no Conselho de Ética.

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O ministro Teori, responsável pelo afastamento, rejeitou tais justificativas para a adoção de uma medida tida como extrema.

O questionamento sobre o pedido de prisão preventiva de políticos que possuem imunidade parlamentar foi levantada pelo ministro Edson Fachin. O assunto é objeto de restrição pela própria Constituição.

O próprio Rodrigo Janot, responsável pela solicitação de afastamento do deputado desde o mês de dezembro do ano passado, também se manifestou contra tal ato.

A alternância do pedido de afastamento em detrimento da prisão foi alvo de apoio pelo próprio presidente do STF, Ricardo Lewandowski, que classificou a atitude de seu colega, Zavascki, de " comedida, adequada e tempestiva".

 Entretanto, no voto que prevaleceu pelo afastamento de Cunha, todos os ministros foram unânimes em declarar que, diante de tantos crimes praticados, a posição do deputado ficou insustentável. 

Mesmo afastado, o peemedebista não perderá o foro privilegiado e ainda poderá recorrer contra a decisão.

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No caso de seu seu impedimento, quem assumirá o seu cargo será o deputado Waldir Maranhão (PP-MA), que também é um dos muitos alvos de investigações por parte da Lava Jato.

#Eduardo Cunha foi posto na condição de réu nas investigações lideradas pelo juiz Sérgio Moro, que coordena a Lava Jato.  Ele é suspeito no envolvimento em crimes de #Corrupção e lavagem de dinheiro, além de recebimento de propinas em contas não declaradas no exterior. Além de responder a três inquéritos, o deputado é alvo de mais três pedidos pela Procuradoria Geral da República (PGR) e que aguardam decisão do STF.