Dois dos três principais presidentes na área da política no Brasil estão temporariamente afastados de seus cargos. Dilma Rousseff foi afastada no dia 12 de maio da presidência da República por meio de votação no plenário do Senado Federal, enquanto Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi afastado da presidência da Câmara dos Deputados no dia 5 de maio por meio de liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki.

Como ambos afastamentos são, no momento, temporários, podendo vir a ser irreversíveis dentro de algum tempo, tanto Dilma como Cunha mantém alguns de seus privilégios garantidos por seus cargos.

Direitos de Dilma

Salário de R$ 30,9 mil

Avião da Força Aérea Brasileira

5 carros 

15 assessores

Residir no Palácio da Alvorada

Assistência de saúde

Segurança pessoal

Direitos de Cunha

Salário de R$ 33,7 mil

Nenhum restrição de transporte aéreo ou terrestre

Cota de gabinete no valor de R$ 35,7 mil

25 assessores de gabinete

Residência oficial

Assistência de saúde

Segurança pessoal

Dois pesos e duas medidas

Apesar de ambos terem o direito garantido de manter os benefícios dos cargos que ocupam, não é exatamente isso que está acontecendo.

Publicidade
Publicidade

Enquanto a presidente da República tem seus direitos podados pelo presidente interino, Michel Temer, #Eduardo Cunha goza de todos os benefícios, e até falou em alto e bom som que seguiria indo a seu gabinete na Câmara dos Deputados.

Michel Temer já cortou o uso da presidente Dilma do avião da FAB, limitando as viagens da presidente apenas ao trecho Brasília-Porto Alegre, onde a presidente mantém residência. Além do transporte aéreo, a verba para o cartão de gastos da residência oficial da presidente também foi cortada. A mando de Temer, o dinheiro foi bloqueado por alguns dias. O acesso ao Palácio da Alvorada também foi bloqueado durante um período. Por utilizar o mesmo trajeto que leva ao Palácio do Jaburu, residência do vice-presidente, Temer mandou fazer um cerco na rua e somente algumas pessoas podiam passar.

Publicidade

Situação de Cunha

O PSOL entrou com um recurso junto ao STF pedindo que, além de ser suspenso de sua funções como deputado, Eduardo Cunha também perca os benefícios como presidente afastado da Câmara dos Deputados. O Supremo ainda não julgou o pedido do partido. 

Nenhum outro partido, nem mesmo a mesa diretora, ou a própria presidência da Câmara dos Deputados, resolveu questionar os benefícios de Eduardo Cunha. O presidente da Casa Legislativa está sem agenda de compromissos parlamentares oficial, porém, segue dando seus pitacos nos trabalhos da Câmara. Cunha é quase que diariamente visitado por alguns de seus aliados mais fiéis. O deputado chegou, inclusive, a declarar que iria continuar normalmente indo ao seu gabinete na Câmara, pois não tinha perdido o direito de transitar no local, mas foi aconselhado por aliados a não desafiar o poder do STF, que tem contra ele, na mesa de Zavascki, um pedido de prisão preventiva apresentado pela Procuradoria Geral da República.

Essas diferenças de tratamento demonstra a clara independência dos poderes, porém, no quesito isonomia, deixa muito a desejar.  #Dilma Rousseff #Dentro da política