Foi aprovado na noite desta quarta-feira (1º) um aumento de quase 17% para os Ministros do Supremo Tribunal Federal. O salário - considerado o teto do funcionalismo público federal - passará de R$ 33.733,00 para R$ 39.293,38. No pacote de aumentos para servidores do Judiciário, Legislativo e Executivo também foi concedido acréscimo salarial à Procuradoria Geral da República, que atingirá, no ano que vem, o mesmo vencimento de um Ministro do Supremo. 

Em acordo firmado com lideranças partidárias, também serão aumentados os salários dos servidores da Câmara, do Senado e do Ministério Público, assim como aqueles envolvidos no Magistério Federal.

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Porém, tais aumentos serão de cerca de 20%, parcelados em quatro anos, fazendo com que o aumento - perante às perspectivas inflacionárias para este ano e para o ano que vem - fique abaixo da inflação, resultando em uma desvalorização salarial. 

O polêmico aumento aprovado pela Câmara dos Deputados, após pedido de urgência feito por Temer, veio pouco tempo depois da aprovação pelo Legislativo de um rombo fiscal de R$ 170 bilhões, cerca de R$ 80 bilhões maior do que o déficit aprovado pelo #Governo Dilma. Não deixa de ser contraditório que, em um governo que promete contenção de gastos públicos e que já tenha cortado benefícios sociais - entre os quais a seção mais subsidiada do Minha Casa, Minha Vida -, aprove-se um déficit muito maior que o necessário e, pouco tempo depois, conceda um aumento que impactará em um gasto de R$ 58 bilhões a mais por ano. 

Estranha-se, mais ainda, o momento em que tais acréscimos salariais ocorreram - principalmente o dos Ministros do STF e da Procuradoria Geral da República - pois, em áudio vazado de uma conversa entre o ex-Ministro do Planejamento de Temer, Jucá, e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, o membro do PMDB confessou que havia um "pacto" entre os políticos a favor do impeachment de Dilma Rousseff e o STF, a fim de coibir o avanço da Operação Lava Jato.

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O áudio de Renan Calheiros (PMDB), presidente do Senado Federal, é mais grave ainda: o senador alagoano afirmou que "todos estão de saco cheio" de Dilma, inclusive o Supremo, já que Dilma se recusava a conceder o aumento salarial desejado pela casa.  

O texto aprovado pela Câmara dos Deputados ainda passará pelo Senado Federal para chegar, finalmente, para a sanção do presidente interino Michel Temer.  #Corrupção