A presidente da Apeoesp (Associação dos Professores do Estado de São Paulo) Maria Izabel Azevedo Noronha, mais conhecida como Bebel, informou que a bancada evangélica, presente na Câmara dos Deputados, quer incluir o criacionismo no currículo das escolas públicas. A intenção também é excluir tudo que possa estar ligado a religiões africanas e indígenas. A proposta já vai ser apresentada na próxima reunião da Comissão de #Educação.

Segundo Bebel, a bancada evangélica está tentando impor princípios religiosos aos estudantes, ato reprovado por ela, pois isso tiraria o direito que os cidadãos têm de receber uma educação escolar que lhe proporcione uma formação com autonomia intelectual. A professora ainda informou que a educação brasileira está retrocedendo e que não podemos nos calar diante da situação.

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Para ela, o governo de Temer é ilegítimo, e a presença de Mendonça Filho, no Ministério da Educação, é prejudicial à educação pública, pois pretende cortar verbas, desvalorizar professores, indo contra a concepção de educação gratuita, de qualidade, inclusiva e laica, para toda a população. 

Noronha afirma que isso é uma demonstração de autoritarismo, pois busca impor um pensamento ditatorial, baseando-se em princípios evangélicos, indo de forma contrária à função social da #Escola, que deve prezar pela liberdade de aprender sobre culturas, respeitando a liberdade, a diversidade, promovendo tolerância, garantindo direitos humanos. Só assim, os cidadãos serão capazes de atuar na sociedade de modo a transformá-la. A professora acredita que impor princípios religiosos nas escolas acabará com a capacidade de diálogo e respeito pelas diferenças que existem em nossa sociedade.

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Bebel diz que não podemos nos silenciar diante da ameaça de violação da democracia, e convida a todos que se manifestem, cada um a sua maneira, pois toda a população brasileira unida pode formar um movimento forte para defender a educação de qualidade no país. 

A questão a ser discutida, neste caso, é: até que ponto preceitos bíblicos poderiam interferir na democracia e na formação autônoma dos jovens de nosso país? Religiões diversas são praticadas no Brasil, não podemos impedir nenhum tipo de crença, seja ela evangélica, católica, de origem indígena ou africana. O que talvez pareça nocivo à professora e a tantos que se opõem ao movimento, seja o uso da #Religião evangélica como forma coercitiva e manipuladora, que impõe os princípios morais fundamentalistas, distorcidos, que se distanciam cada vez mais do cristianismo praticado nas comunidades primitivas.