A colaboração de mais um envolvido no esquema de propinas operado pela Odebrecht traz à tona novas revelações feitas pelos investigadores da #Lava Jato. Desta vez, o jornal O Globo publicou nesta segunda-feira, dia 20, um artigo que mostra mais alguns detalhes sobre o possível  envolvimento do ex-presidente Marcelo Odebrecht, no complexo esquema de repasses de propinas e que era operado no exterior. 

A prisão de Vinícius Borin, um dos executivos da empresa envolvidos no esquema e a sua opção pelo recurso da delação premiada, tornou possível aos investigadores desvendar o funcionamento de repasse de valores que era comandado por um departamento criado exclusivamente com o aval de Marcelo Odebrecht para tal finalidade. 

A compra do banco internacional pela Odebrecht

Segundo o executivo, o Meil Bank, localizado em Antígua, no Caribe, foi adquirido em 2010 pelo grupo.

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O negócio, que custou US$ 3,984 milhões ao grupo Odebrecht, possibilitou inicialmente a aquisição de 51% de suas ações, que depois subiram para os 67%, após nova oferta de compra. O restante do capital acionário permaneceu em Viena, sede do banco. Após a sua aquisição, a instituição movimentou cerca de US$ 1,6 bilhão distribuídos em mais de 40 contas.

O esquema de repasse de propinas pelo banco adquirido pela Odebrecht

Segundo a delação de Borin, o esquema de repasse de propinas envolvia uma suposta prestação de serviços à empresa, cujos contratos eram elaborados exclusivamente por uma advogada (cujo nome não foi revelado) que recebia cerca de US$ 6 mil dólares mensais para tal tarefa. Os valores eram repassados para contas da instituição e foram abertas em nome de terceiros. São eles: Olívio Rodrigues Júnior, sócio da Corretora Graco e Fernando Migliaccio, ex-funcionário da Odebrecht.

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Na delação para a Lava Jato, Vinícius forneceu a lista de cerca de 27 contas ligadas a empresas off-shores que recebiam os valores e repassavam para os 'especialistas' em lavar dinheiro no Brasil. Uma destas empresas pertencia ao marqueteiro João Santana. O total movimentado chegou a US$ 132,6 milhões repassados pela Odebrecht. Com a aproximação das investigações feitas pela Polícia Federal (PF), estas contas, em sua grande maioria, foram fechadas. Isto ocorreu logo após a prisão de Marcelo Odebrecht. O plano dos executivos que comandavam o percentual acionário do banco era adquirir o controle total da instituição, para depois fechá-la e dar sumiço a toda documentação do esquema.

Segundo o executivo, o início das operações, via Meinl Bank, se deu quando o mesmo foi procurado por Olívio, que em nome da Odebrecht, afirmou que a empresa precisava abrir contas em virtude da realização de algumas obras fora do Brasil. Vinícius trabalhava na tesouraria da instituição. As mesmas foram abertas em nome do representante da empresa que alegou questões tributárias para tal procedimento.

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Antes disto, a empreiteira havia movimentado valores da ordem de US$ 1 bilhão em contas no Antígua Overseas Bank, que depois faliu.

A Odebrecht usou a estratégia de adquirir o controle do banco após a decretação do estado de insolvência do mesmo e a mesma perder dinheiro. O negócio além de envolver os executivos citados anteriormente, teve a participação de um dos executivos da Cervejaria Itaipava, localizada no Brasil. Todos os envolvidos recebiam uma remuneração de US$ 10 mil mensais, além de uma comissão de 2% sobre os valores que eram creditados nas contas.  #Governo #Corrupção