Ao virar réu por crime de incitação ao estupro em declaração direta à deputada Maria do Rosário (PT/RS), Jair Bolsonaro (PSC/RJ) comentou os fatos que circundam o processo que pode acabar em cassação do seu mandato. A turma do 1º Supremo Tribunal Federal, que decidiu que o processo fosse adiante (por 4 votos favoráveis e 1 contra), não ouviu as costumeiras e fortes declarações do deputado eleito pelo estado do Rio de Janeiro. O que se viu foi um Bolsonaro diferente, e de fala mais amena e cautelosa.

Sob a alegação de imunidade parlamentar, afirmou que teria o direito de falar “o que quer que seja” para justificar (e defender) os votos daqueles que o escolheram para a posição.

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Tendo este ponto sido negado pelos condutores do caso. A ação teve promoção da Procuradoria Geral da República – e queixa de Maria do Rosário aceita pelo STF –, quando, no fim de 2014, Bolsonaro proferiu que a deputada gaúcha “não merecia ser estuprada”, em seguida justificando por ela ser “feia” e, ao fim, completar que ela não faria seu tipo de mulher.

O episódio toma ares até hoje, quase dois anos após o ocorrido. A fala forte do deputado que enunciou a frase de 2014, deu lugar a uma fala mais cautelosa e cuidadosa durante os comentários sobre a acusação, em 2016. Jair Bolsonaro pediu que os ministros do STF “humildemente” repensassem a acusação, e solicitou reflexão do que foi dito na situação. Ainda completou afirmando que a frase teria sido um ato reflexo. Pediu desculpas, mas não para a deputada, mas à sociedade que, segundo ele, não foi informada corretamente sobre os fatos.

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Segundo a Procuradoria Geral da República, o discurso do Deputado Federal do Rio de Janeiro incita a prática da violência sexual. Abrindo um precedente de que ela “merece”, a frase acaba por instigar homens a escolherem mulheres pelas quais possuam desejos e que estes as considerem merecedoras de estupro. Por fim, durante a manhã de votação na Corte, o ministro do STF, Luiz Fux, disse que a imunidade parlamentar tem relação com assuntos que envolvem o mandato do deputado – o que não cabe na situação.

Além disso, durante a sessão, Fux leu as declarações de Bolsonaro à Maria do Rosário, mostrando repúdio às falas e pedindo desculpas aos colegas pela leitura. A Deputada eleita pelo Rio Grande do Sul comemorou nas redes sociais a decisão do STF.

Confira o vídeo em que Bolsonaro afirma que Maria do Rosário não merece ser estuprada:

#Crise #Crise no Brasil #Dentro da política