Definitivamente, as chances de #Eduardo Cunha escapar da cassação no plenário da Câmara dos Deputados estão diminuindo cada vez mais. Depois de ver dois votos no Conselho de Ética - Tia Eron (PRB-BA) e Wladimir Costa (SD-PA) -, que considerava serem seus, decidirem em favor da aprovação do relatório pedindo sua cassação, agora foi a vez do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PR-MA), recuar em uma manobra favorável a Cunha.

Maranhão tinha feito uma consulta à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara sobre uma possível votação em plenário de uma penalidade por quebra de decoro parlamentar - caso análogo ao de Eduardo Cunha.

Publicidade
Publicidade

A relatoria do caso caiu nas mãos de um dos aliados de Cunha, Arthur Lira (PP-AL), que tinha preparado um relatório favorecendo Eduardo Cunha e dizendo que o plenário não poderia mudar uma decisão do Conselho de Ética.

O problema, para Cunha, é que ele contava com a vitória no Conselho e que seria capaz de derrubar o relatório pedindo sua cassação. Como isso não aconteceu, perdendo por 11 a 9, na última terça-feira (14), a manobra perdeu seu sentido.

Sem mais razão para existir a consulta, Wladimir Maranhão, na surdina, modos operandi já conhecido, vide a anulação da sessão de votação do impeachment da presidente Dilma, assinou na última quinta-feira (16) um oficio formalizando a retirada do questionamento a CCJ. O documento ainda não foi homologado pelo interino, que logo após assinar o oficio pegou um avião e voou para seu estado, deixando essa carta na manga.

Publicidade

A decisão de revogar a consulta já é de conhecimento dos parlamentares. Segundo informações do O Globo, Maranhão já avisou aos líderes de bancada, em reunião ocorrida durante a semana, que irá suspender o questionamento a CCJ. Segundo ele, não faz mais sentido, pois Cunha irá recorrer da decisão do Conselho de Ética de qualquer forma, então é melhor tirar logo de pauta. 

Segundo O Globo, Maranhão questionou outros deputados sobre qual seria o momento ideal par formalizar a retirada de pauta. Os parlamentares se dividiram: uns apoiam que a consulta permaneça, pois assim iria expor mais ainda a tropa de choque de Cunha; outros dizendo que o ofício deve ser logo apresentado e superar esse questionamento, pois pode atrasar ainda mais a chegada do processo de Cunha ao plenário da Casa.

Interino "rompido"

O blog do Josias, do portal UOL, apurou que a decisão de Maranhão por retirar a consulta partiu depois de uma "interferência" de Cunha na Comissão Parlamentar que Inquérito (CPI) do DPVAT.

Publicidade

O presidente interino queria emplacar o deputado Luís Tibet (PTdoB-MG) para presidir a CPI recém-criada. O Centrão, liderado por Cunha, queriam colocar Marcos Vicente (PP-ES) na presidência. Na votação, acabou vencendo o deputado do PP. Maranhão considerou que essa ingerência de sua vontade tinha o dedo de Eduardo Cunha. 

O presidente da Câmara afastado trabalhou durante seu mandato presidencial sempre tendo uma carta na manga contra seus opositores, e até aliados, e é apostando nisso que Waldir Maranhão guarda o ofício a sete chaves, já assinado, esperando apenas ser publicado.  #Câmara dos Deputados #Dentro da política