Com a desistência do deputado federal Vitor Valim (PMDB) de entrar na disputa pela Prefeitura de Fortaleza, começa a ficar definido o quadro de postulantes ao pleito, bem como as possíveis vulnerabilidades e pontos fortes de cada um. O que parece claro é que a primeira pesquisa do Ibope sobre as intenções de votos à Prefeitura de Fortaleza nas eleições de 2016, divulgada em setembro do ano passado, na qual se apontava a vitória da oposição na disputa contra o prefeito Roberto Cláudio, já não mais deve servir de referência. 

Na época, um dos cenários da pesquisa, contratada pelo PMDB, é bom que se diga, indicava o deputado estadual Heitor Férrer com 18% das intenções de votos, seguido pelo Capitão Wagner (PR), com 15%, e pelo deputado federal Vitor Valim (PMDB), também, com 15%; o deputado federal Moroni Torgan (DEM) era citado por 12% dos entrevistados, enquanto, em quinta colocação, aparecia o prefeito Roberto Cláudio, com 9%. A pesquisa indicava ainda, a ex-prefeita Luizianne Lins (#PT), com 8%; Renato Roseno (PSOL), 5%; Ronaldo Martins (PRB) e Walter Cavalcante (PMDB), 2%, cada.

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As mudanças no quadro político com o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff não só embolaram o jogo nacional, como desarmaram estratégias de potenciais candidatos que já apareciam como virtuais favoritos na disputa local. O fato é que hoje torna-se tarefa quase impossível apontar quem pode estar encabeçando a dianteira. Na cúpula da prefeitura há quem garanta que as pesquisas internas já apontariam o prefeito Roberto Cláudio à frente dos demais postulantes.

Não é difícil considerar a possibilidade de RC estar bem melhor posicionado do que há nove meses. De lá para cá ele intensificou substancialmente a inauguração de obras e se manteve estrategicamente distante do Fla x Flu sobre o impeachment que tensionou o país nos últimos meses. A preço de hoje, o atual prefeito só teria a crescer.

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Tem o que mostrar e conta com eleitorado que tanto pode vir do Flamengo como do Fluminense. O maior risco da sua candidatura será sem dúvida a ex-prefeita Luizianne Lins (PT), que centrará fogo contra o prefeito.

Sobre Luizianne, apesar do desgaste de sua segunda gestão como prefeita, deve angariar o apoio dos movimentos de esquerda e pode crescer embalada nessa onda. Boa de palaque e de discurso, tem esses aspectos como pontos positivos, mas enfrentará uma dura resistência a partir das comparações a serem feitas pelo próprio prefeito Roberto Cláudio em relação as suas gestões. Luizianne ainda terá que lidar com a forte oposição dos que defenderam o impeachment da presidente Dilma.

O deputado Capitão Wagner (PR) entra na disputa com um potencial importante de apoiadores, que vem mantendo ao longo de sua trajetória política, mas terá que ter habilidade para superar alguns obstáculos que irão surgir na campanha. Um deles diz respeito a ser talvez o candidato que encarnará em Fortaleza a defesa do impeachment, bem como do governo Temer.

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A depender do sucesso ou desgaste do atual presidente, terá que assumir isso. Wagner também terá que explicar à categoria dos policiais militares o apoio do senador Tasso Jereissati à sua candidatura. Tasso, quando governador, foi implacável contra policiais que comandaram a greve no tempo de Tasso no governo. Nas redes sociais, esse apoio tem sido questionado e a tendência é que com o desenrolar da campanha essa questão seja fartamente explorada.

Já Heitor Férrer, que sempre esteve bem posicionado na disputa pela prefeitura, parece estar com o discurso desgastado. Além disso, ao se aliar ao PSB sem o referencial histórico, pois o partido não é nem a sombra do que foi no passado, Heitor começa a perder o voto de opinião que sempre lhe caracterizou. O deputado terá ainda que lidar com a presença do deputado Danilo Forte (PSB), presidente estadual de seu partido, como um fardo pesado. Em Fortaleza, Danilo nem tem voto, bem como foi um dos defensores do afastamento de Dilma, o que coloca Heitor em posição incômoda. #Dilma Rousseff #Eleições 2016