A própria presidente Dilma Rousseff adotou a nomenclatura utilizada pelos seus defensores e passou a chamar publicamente o processo de #Impeachment que sofria de “golpe”. Mesmo previsto na Constituição Federal promulgada em 1988, o impeachment não tinha bases legais para ser aceito, segundo os parlamentares governistas e demais defensores de Dilma.

Para Bruno Rocha Lima, cientista político e professor de Relações Internacionais no estado do Rio Grande do Sul, o impeachment por si só não pode ser considerado “golpe”, pois se trata de um instrumento previsto na Constituição. No entanto, ele não vê base legal para o processo afastar Dilma Rousseff do cargo de presidente da República.

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“Obviamente que o processo de impeachment dentro da Constituição está previsto e não conforma um golpe. Este processo conforma, no meu entender, um golpe pelo fato do mérito político-jurídico ser pífio. É como se começassem a punir a presidente de modo aleatório, como a única razão minimamente plausível no pedido de impeachment dos três juristas de São Paulo, sendo que dois destes autores eram tucanos”, avalia o cientista.

No caso, ele faz referência aos autores do pedido de impeachment aceito ainda em dezembro do ano passado na Câmara dos Deputados. O documento era assinado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr e Janaína Paschoal.

“Também entendo que fora um golpe em função do orquestrado, com apoio da Fiesp, espetáculo político-midiático, apoio de empresas de marketing digital e outros elementos tradicionais das chamadas trocas de regime, ou “revoluções” coloridas como nas aplicadas na América Latina e na Europa Central”, amplia.

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Por fim, ele finaliza citando a Operação Lava Jato, que investiga o processo de corrupção esquematizado na Petrobras.

“Entendo que o elemento conspiratório está na Lava Jato mesmo, e no desespero que os demais suspeitos têm em tentar abafar o caso, e com isso o impeachment da presidente seria uma operação neste sentido”, termina. #entrevista #Senado Federal