Após longas, exaustivas e turbulentas sessões, tanto na Câmara dos Deputados como no Senado Federal, a presidente Dilma Rousseff viu o seu processo de #Impeachment ser admitido no dia 12 de maio, uma quinta-feira, quando 55 senadores votaram a favor e apenas 22 foram contra a continuidade do impedimento. Desde então, assim como reza a Constituição Federal, o vice-presidente #Michel Temer, do PMDB, assumiu de forma interina o cargo, enquanto Dilma segue afastada por até 180 dias.

Enquanto Temer governa, Dilma segue tentando se defender dentro da Comissão Especial de impeachment do Senado Federal para tentar evitar a concretização da perda do mandato.

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Para Bruno Lima Rocha, cientista político com mestrado e doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e professor de Relações Internacionais na ESPM Sul, quanto mais o processo de Dilma se arrastar e Temer seguir governando, pior para o Brasil.

Rocha atendeu gentilmente a reportagem da Blasting News Brasil e opinou sobre o delicado momento político do país, que vive, pela segunda vez em sua ainda jovem democracia, um processo de impeachment que pode destronar um presidente da República eleito pelo voto popular. Em 1992, Fernando Collor de Mello não conseguiu sair do escuro corredor que Dilma Rousseff ainda tenta se encontrar.

“Há uma chance real, mas pouco provável, de que a presidente Dilma Rousseff não sofra o impeachment definitivo no plenário do Senado e esta votação está diretamente ligada ao andamento da Operação Lava-Jato e dos demais interesses irreconciliáveis, incluindo alguns que são de certo inconfessáveis diante da opinião pública”, avaliou o cientista político, em entrevista exclusiva à Blasting News Brasil.

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Na análise, Rocha faz menção à Operação Lava-Jato, que investiga desvios de recursos da Petrobrás à partidos políticos. Desde o início, a operação tem embaralhado as cartas do jogo político e envolvido diretamente a opinião pública. Em áudio vazado à imprensa, Romero Jucá, senador pelo PMDB de Roraima, citou que era necessário “estancar essa sangria”, claramente falando sobre os efeitos da operação. Após a conversa de Jucá com Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, Temer decidiu afastar do Jucá do cargo de ministro do Planejamento.

O episódio gerou a primeira crise de maior proporção do #Governo interino de Michel Temer. Para Rocha, a tendência é que crises como essa, de cunho político e também jurídico sigam ocorrendo.

“Creio que nenhum setor político tenha hoje 100% de certeza quanto ao retorno da presidente, mas tenho a convicção de que quanto mais longo for o mandato interino antes do afastamento definitivo – se este vier a ocorrer – mais crises políticas e jurídicas teremos diante de um governo frágil e ilegítimo”, criticou o cientista político.

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No momento, a Comissão de Impeachment no Senado Federal discute o cronograma para a segunda etapa do julgamento de Dilma Rousseff, chamado de “pronúncia”. Uma questão de ordem da senadora Simone Tebet (PMDB-MS) foi acatada pela presidência e estipulou redução de 15 para 5 dias as entregas finais de alegação e defesa. Com isso, a votação final do impedimento de Dilma, prevista para agosto, poderia ocorrer em julho. A questão deve ir ao Superior Tribunal Federal (STF), cujo presidente Ricardo Lewandovski é o juiz do processo de impeachment.