Uma das figuras mais polêmicas do recente cenário político brasileiro, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) teve parecer pela sua cassação aceito nesta terça-feira, dia 14, após votação do Conselho de Ética da Câmara. A decisão pelo parecer veio após o voto da deputada Tia Eron (PRB-BA), que definiu o placar em 11 votos a favor do pedido de cassação, contra 9 contra.

Acusado de quebra de decoro parlamentar e de manter contas no exterior, Cunha teve a cassação de seu mandato pedida em parecer elaborado pelo deputado Marcos Rogério (DEM-GO). O presidente afastado da Câmara também teve sua prisão pedida ao Supremo Tribunal Federal pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Publicidade
Publicidade

Agora, o pedido pela cassação do mandato segue para plenário na Câmara, onde necessitará dos votos de 257 dos 513 deputados que compõe a casa. Antes da votação, no entanto, a defesa de Cunha deve recorrer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para tentar reverter o quadro alegando irregularidades no trâmite do processo.

 

Parecer

No parecer de Marcos Rogério, Cunha é acusado de utilizar empresas de fachada no exterior para receber dinheiro proveniente de #Corrupção da Petrobrás.  Durante a sessão desta terça-feira, Rogério acusou Cunha de “praticar crimes”, e afirmou que o caso do deputado é “o maior escândalo” já julgado pelos deputados.

Apresentado em outubro de 2015, o parecer teve longo trajeto até sua votação nesta terça-feira. Cunha tem sido acusado por deputados adversários de ter se utilizado de diversas manobras jurídicas e políticas para evitar a votação.

Publicidade

A defesa do deputado negou a prática.

 

Voto decisivo e defesa

Responsável pelo voto que selou a decisão de aceitar o parecer, a deputada Tia Eron afirmou ter sido “hostilizada até pelas mulheres” por ter votado a favor do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT). Eron também afirmou que seu partido, PRB, “não troca cargos”. E que não poderia “absolver o representado”, confirmando o voto de sim a favor da cassação do deputado #Eduardo Cunha.

Advogado de Cunha durante o processo no Conselho de Ética, Marcelo Nobre  negou que Cunha tenha utilizado contas secretas no exterior para receber dinheiro, afirmando que Cunha possuí investimentos administrados por terceiros. Nobre também disse que as acusações contra Cunha “não tinham provas”.

 

Mais acusações

Além da possível cassação de seu mandato na Câmara, Cunha também responde a três denúncias da Procuradoria-Geral da República no Superior Tribunal Federal. Responsável pelo prosseguimento da chamada “Operação Lava Jato”, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, também aceitou denúncia contra a esposa de Eduardo Cunha, Cláudia Cruz, que se tornou ré e irá responder a acusações de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Publicidade

 

Aliados recomendam renúncia

Com o cerco se fechando, aliados de Eduardo Cunha têm recomendado que o deputado aceite renunciar ao cargo de presidente da Câmara para evitar a cassação de seu mandato. A defesa e os deputados que apoiam Cunha também discute estratégias para barrar o parecer na CCJ, incluindo lançar mão de emendas que alterem o parecer e que o torne mais brando, para que a votação possa influenciar para a não cassação do mandato do deputado. #Câmara dos Deputados