A decisão tomada nesta segunda-feira (06) pelo presidente da comissão do #Impeachment Raimundo Lira (PMDB), acatou o pedido da defesa da presidente afastada #Dilma Rousseff: 15 dias para a acusação e 15 dias para a defesa. Segundo Lira, a opção foi pelo prazo que favorece a defesa, concedendo mais tempo para que a base de Dilma trabalhe para mudar votos que hoje seriam pelo impedimento definitivo. Porém, este tempo pode ser prejudicial.

Conteúdo de delações pode ser incluído no processo

O senador Aloysio Nunes (PSDB), líder do governo, afirma que atualmente somente os "objetos da denúncia" podem ser discutidos no processo de impeachment: as pedaladas fiscais e a abertura de crédito sem autorização do Legislativo.

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No entanto, ele pode incluir o conteúdo de delações premiadas que citaram a presidente, alegando uma brecha aberta pelo próprio advogado de defesa de Dilma.

José Eduardo Cardoso solicitou as gravações do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, o que, para Aloysio, significa o abandono da linha de defesa inicial: "Se for assim, eu vou pedir para incluir muitas outras coisas", disse, referindo-se aos delatores da Lava Jato.

A começar pelo depoimento de Delcídio do Amaral, petista líder do governo Dilma e ex-diretor da Petrobras, que foi o primeiro senador preso no exercício do cargo. Delcídio denunciou o esquema montado para impedir que Nestor Cerveró firmasse acordo de delação premiada. Confessando ter participado, contou que Lula e Bumlai estavam por trás da trama. Ainda sobre Lula, afirmou que ele participava de todas as nomeações das diretorias das estatais, especialmente da Petrobras, e que a nomeação de Cerveró para a diretoria internacional da Petrobras em 2003, foi definida no Planalto por Lula e pela bancada do PT de Mato Grosso do Sul, com a participação de Dilma.

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Outra nomeação de Cerveró, para a BR Distribuidora, também teve participação da presidente. Ela nega.

Sobre a corrupção na usina de Belo Monte, Delcídio declarou que foi decisiva para as campanhas eleitorais do PT e do PMDB. Ele estima que o esquema gerou R$ 45 milhões.

Citando onze políticos como beneficiários de desvios da Petrobras e da BR Distribuidora, Nestor Cerveró delatou a quantia de mais de 500 milhões de reais. Ele afirma que Dilma conhecia todos os detalhes da compra pela Petrobras da refinaria norte-americana de Pasadena, contrariando a presidente, que alega ter autorizado a compra por desconhecimento de cláusulas do contrato: "ela sabia de tudo, o tempo todo". Insistindo que a presidente mentiu, declarou se sentir traído por Dilma, que atribuiu a ele a culpa pelo negócio desastroso.

Para complicar ainda mais a situação da presidente afastada, a mais bombástica das delações pode encerrar suas esperanças. Marcelo Odebrecht, teria revelado em depoimento à Lava Jato que, em encontro com Dilma entre o primeiro e o segundo turnos das eleições de 2014, teria lhe perguntado se realmente deveria doar R$ 12 milhões "por fora" para o marqueteiro da campanha João Santana e para o PMDB.

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Ao que Dilma teria respondido: "É para pagar".

Resta saber se a defesa da presidente continuará insistindo em alterar o rumo do processo, incluindo as gravações de Sérgio Machado, que comprometem Renan Calheiros, José Sarney e que já derrubaram dois ministros de Temer.