Confira o que pensa Ricardo Barros, Ministro da Saúde do presidente interino Michel Temer, sobre os principais temas da saúde no Brasil. Confira:

SUS

Em entrevista à Folha, o novo Ministro da Saúde afirmou que o país teria que rever o tamanho, o custo e o acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ele, "quanto mais gente puder ter planos de saúde, melhor". A declaração de Barros foi alvo de diversas críticas, e ele voltou atrás poucas horas depois, alegando que sua gestão não promoverá nenhuma mudança no SUS.

Doações empresariais

Durante sua campanha nas eleições de 2014, Barros recebeu um total de R$3 milhões em doações.

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Do montante, R$100 mil vieram de um único doador: Elon Almeida, presidente do Grupo Aliança, uma administradora de planos de saúde. O fato veio à tona após as declarações do novo Ministro da Saúde sobre a atual situação do SUS.

Em 2015, Elon Almeida foi alvo da Operação Acrônimo e até hoje é investigado pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro.

A campanha de Barros também recebeu R$627 mil de doações da Galvão Engenharia e R$100 mil da Queiroz Galvão Alimentos - duas das empreiteiras ligadas à Lava Jato. Ele nega qualquer irregularidade e afirma que as doações foram legais.

Zika vírus

Às vésperas das Olimpíadas do Rio de Janeiro, o país enfrenta uma grave epidemia do vírus zika, e há, inclusive, quem seja contra a realização dos jogos no Brasil enquanto a situação não estiver controlada.

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O novo Ministro da Saúde, porém, pouco após tomar posse, deu declarações que a imprensa e a comunidade científica consideraram "desastrosas". Em declaração à Folha de S. Paulo, ele chamou o mosquito Aedes aegypti de indisciplinado, porque ele "não pica só quem mora na casa". Se o mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya fosse domesticado, de acordo com o ministro, "seria fácil" promover o controle das doenças.

Pílula do câncer

Sobre a liberação da "pílula do câncer" sem a realização de testes, Barros afirmou que, na pior das hipóteses, seu uso provocaria um "efeito placebo" e que, mesmo que a pílula não funcione de fato, se as pessoas acreditarem "a fé pode mover montanhas". Já especialistas na área temem que o uso da pílula possa trazer riscos graves à saúde, uma vez que não foram realizados os testes de segurança e eficácia necessários.

Questionado se acredita que a pílula seja eficaz, ele admitiu não ter "opinião técnica sobre o assunto".

Aborto

Em entrevista ao Estadão, o ministro afirmou que pretende, sim, discutir a legalização do aborto, mas, para isso, defende a participação de setores religiosos nos debates.

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Já líderes de movimentos que lutam pelos direitos das mulheres são radicalmente contra a participação da Igreja nas discussões sobre a legalização do aborto, alegando que esta é uma questão de saúde pública e que o Brasil, como o Estado laico que de fato é, não pode ter suas leis baseadas em argumentos de cunho religioso.

"Ideologia de Gênero"

Ricardo Barros também foi flagrado recentemente lendo o livro A Ideologia de Gênero na Educação, da psicóloga e advogada da "cura gay", Marisa Lobo. "Ideologia de gênero" nada mais é do que um termo usado por alguns líderes evangélicos - e políticos alinhados a um pensamento conservador - que faz referência a uma suposta teoria, por meio da qual o Estado estaria doutrinando crianças para transformá-las em homossexuais.

Rusgas internas

Na última semana, o diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais (DDAHV), Fábio Mesquita, pediu demissão do cargo, alegando que, em poucos dias, a nova gestão intensificou "de maneira alarmante" os problemas internos da saúde pública brasileira.

Em nota divulgada à imprensa, Mesquita acusou o ministro de excluir a delegação do DDAHV da 69ª Assembleia Mundial da Saúde, para colocar a sua esposa como parte da delegação oficial que foi à Suíça no mês passado. #Governo #Michel Temer